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Osvaldo Gomes de Barros

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Se tivesse morrido nos velhos tempos, quando tinha condições de prestar serviços à comunidade e aos poderosos de plantão, o sepultamento de Osvaldo Gomes de Barros estaria nas manchetes da mídia. Presença marcante nas rádios e jornais, era convocado diariamente para entrevistas, mas, simples, humilde, avesso à vaidade, nunca quis ser estrela. Autoridade autêntica no que fez ? ao contrário de muitas fabricações ? quem o conheceu é testemunha de que, onde atuou, botava o coração na frente, abrindo caminho para produzir o bem. Desportista apaixonado, várias vezes campeão pelo CRB, entrou na história da Pajuçara e, como médico, muitas famílias agradecem a vida por causa de sua intervenção amiga. Morador da velha-guarda da zona norte de Maceió, nunca deixou de ajudar a Escola de Samba Unidos do Poço quando o carnaval sadio constava do calendário organizado de festas da cidade. Como político, passou pela Assembleia Legislativa com espírito rebelde, contestador, usando o protesto como bandeira, embora figurasse na bancada de sustentação ao governo. No futebol de craques praticado antigamente, valia tudo para se conquistar o campeonato alagoano e, sem maldade, Osvaldo Gomes de Barros não participava das articulações de bastidores. Numa decisão contra o CSA, azulino Arlindo Chagas ? habilidoso, venenoso, esperto, rotulado por Noaldo Dantas como jornal oral ? arrancou o troféu numa ligação enganosa para o Rio de Janeiro. Semana do jogo, telefonou para o juiz da partida se apresentando como presidente do CRB, tentando marcar um papo reservado sobre o resultado do clássico, aqui, no hotel. Tradição da época, dirigentes dos clubes formavam fila no gramado para cumprimentar o árbitro, uma maneira de desejar boa sorte. ?Muito prazer, Osvaldo Gomes de Barros...? ? estendeu a mão. ?Com o senhor eu não quero conversa...? ? fechou a cara e, em seguia, abraçou Arlindo Chagas, autor da trapalhada. O CSA foi campeão e, no outro dia, ao tomar conhecimento, Osvaldo partiu para a briga pessoal na estreita Rua do Comércio. Não levava desaforo pra casa e, na defesa de suas convicções e dos desprotegidos ? humilhados pelos que se consideravam fortes ? chegava a passar por cima da razão para ficar ao lado dos mais fracos. Última eleição, não conseguiu se reeleger e, na composição do Palácio, governador Suruagy abriu espaço para ele assumir como primeiro suplente. Deputado Jota Duarte ?adoeceu? e, na sua vaga, ele entrou, sem festa porque, na política, como no futebol, reserva não tem direito sequer de aparecer na foto. Na tarde da posse, pediu a palavra e, gesticulando para todos os lados, fez um discurso inflamado contra o governo, apoiado pela oposição em vários apartes de apoio. Sessão do outro dia, Jota Duarte voltou a ocupar a sua cadeira, bem de saúde, aspecto jovial, cheio de ideias para exibir no plenário. ?O médico entendeu que já estou bom!? ? explicou à imprensa, querendo justificar o retorno relâmpago, depois de menos de 24 horas de licença. Osvaldo Gomes de Barros era assim: um médico que amava o esporte, passou pelo samba sem cair na folia, incompreendido na política e amigo dos momentos de dificuldades. (*) É jornalista.

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