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Opinião

Valor, o esp�rito da coisa (1)

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Valor e preço. Poucos observam essas duas instâncias de toda e qualquer mercadoria e serviço, muitos economistas confundem propositalmente esses dois aspectos das mercadorias para esconder a ignorância sobre o valor. Fazendo analogia, poderíamos dizer que o preço implica no corporalizar da alma; por outro lado, se toda alma tem sua forma corpórea, poderíamos dizer o inverso, ou seja, que todo corpo humano tem sua forma espiritualizada tanto pela sociedade como pelo próprio indivíduo ou corpo. Entretanto, em ambos os casos, é o abstrato que determina o concreto. Fazendo paralelo desses paralelos, fica fácil compreender aquilo que Georg Simmel constatou há mais de um século, ou seja, que os problemas mais profundos da vida moderna proveem da pretensão do indivíduo de resguardar a autonomia e a peculiaridade da sua existência em face das prepotências da sociedade, da herança histórica, da cultura exterior e da tecnologia. Mesmo porque, essa pretensão de todos nós tem estado sob a égide do paralelo preço/valor, isto é, temos pretendido salvaguardar o mínimo de nossos direitos sempre na resistência vital, nos defendendo contra o oceano da prepotência da sociedade, porque sempre permitimos que a propalada ?mão invisível? estabelecesse o preço ao valor das coisas em geral. É fundamental que revertamos este fato socioeconômico, até mesmo para podermos avançar e sair dessa condição de resistência. É preciso que revertamos o paralelo preço/valor, isto é, precisamos começar a valorar o preço. Considerando que a sociedade moderna se assemelha a um grande shopping cente, para reverter este fato socioeconômico tudo o que temos para fazer é buscar a mercadoria. Esta mercadoria existe e reflete a contradição própria da sociedade moderna, é a que nunca chega a ser mercadoria porque não contém trabalho materializado como as demais, até porque é o próprio processo de produção dessa mercadoria que carrega e transporta trabalho vivo de um ponto para outro. Esta peculiaridade deste setor da economia possibilita, por exemplo, que o passe ou vale-transporte represente o dinheiro mais que a própria mercadoria, pois é a função do dinheiro representar o valor de todas as mercadorias ao se espelharem nele e assim mostrar seus próprios valores singulares. Mais, esta peculiaridade nos possibilita juntar todos os empresários do setor numa Agência Reguladora (AR) inédita e realmente eficiente e, desse modo, coletar informações sobre cada uma das unidades de transporte e sobre cada viagem ou percurso de cada passageiro para dividir o primeiro (o custo total incluído o percentual de lucro) pelo segundo e assim obter o valor de mercado do quilometro rodado para, desse modo, possibilitar ao passageiro o pagamento ? via cybercash ou cartão magnético ? dos quilômetros realmente rodados e/ou do percurso realizado. (*) É economista.

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