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Seguran�a p�blica e a pedra de s�sifo

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| JOSÉ HELENO SANTOS * Nos últimos anos, o trabalho feito na área de segurança pública, infelizmente, tem se mostrado pouco ou nada satisfatório. As garras do crime têm crescido, e isso parece reduzir as ações do governo a gotas d?água no revolto mar da violência urbana. Mesmo assim, há ampla divulgação sobre compra de viaturas e outros materiais de caráter bélico ? uma maneira de mostrar à sociedade o esforço governamental para combater o problema. Porém, o simples fato de equipar a polícia não significa uma medida eficaz em si mesma. Outros pontos, como o estudo sistêmico da violência e dos fatores que com ela contribuem, além da valorização dos policiais por meio de salário justo, treinamento adequado e assistência psicológica, são tão importantes quanto a logística. Sem a agregação desses pontos, a aquisição de equipamentos é um esforço discutível, que, apesar de se adequar ao discurso político, não traz solução definitiva para a questão. Continuamos, por conseguinte, reféns da violência. O que resta, então, fazer os governantes? A julgar pelo marketing oficial, só lhes falta apelar aos céus. Nesse caso, poderiam tomar como referência a mitologia grega, pela qual o mundo dos homens era governado pela vontade dos deuses e semideuses, sendo a estes delegadas as tarefas que os mortais não eram capazes de realizar. Porquanto, quiçá por decreto estatal se transferiria o combate ao crime - fardo supra-humano ? aos moradores do Olimpo, os quais, com seus poderes fantásticos, haveriam de ferir de morte a criminalidade. Entretanto, ressaí-se um detalhe: estamos em ano de pleito eleitoral, e o governo, temendo concorrência, poderia, ao final, se negar a dividir os louros da vitória com as divindades. Correríamos assim o risco de sofrer a ira de Zeus. Se isso acontecer, torçamos para que o governo não tenha a mesma sorte de Sísifo, ente mitológico condenado a empurrar, sem repouso, uma pedra até o alto de uma montanha, de onde a pedra caía novamente, tornando seu trabalho inútil. Se já está difícil carregar o peso da segurança pública como um problema humano, o que dizer se fosse um castigo divino? Pensando melhor, diria o bom político, chamem o marketeiro, e não se atrevam a importunar os deuses. (*) É sargento da PM e acadêmico do curso de Direito.

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