Opinião
Credo quia absurdum
Além do dilúvio e da tragédia que se abateram sobre a cidade do Rio de Janeiro, as duas questões mais relevantes expostas durante a semana foram nacionalmente a definição das principais candidaturas ao Planalto e localmente a inacreditável questão da instalação do estaleiro em Coruripe, sobre as quais muitas polêmicas ainda virão. A tragédia do Rio inevitavelmente nos remete às eleições presidenciais via o uso eleitoreiro das verbas públicas para proveitos pessoais, no caso Gedel Lima, enviando-as em sua grande maioria para a Bahia (onde será candidato majoritário) em detrimento de outras praças. Gedel é uma das principais lideranças que vêm no pacote de uma das candidaturas à Presidência. Sobre as candidaturas, a campanha promete ser provavelmente a mais acirrada dos últimos tempos. Embora no campo da condução da macroeconomia, aparentemente existam poucas divergências entre os dois postulantes e uma parte do eleitorado já tenha o seu candidato preferido, outros fatores poderão ser determinantes para o resultado final, como o partido político, suas qualidades e, principalmente, suas mazelas. Assim como o histórico pessoal do candidato e seu desempenho na campanha rumo ao Planalto. Peculiaridades do candidato deveriam ser melhor consideradas, como o equilíbrio em situações de conflito, a capacidade de avaliar e corrigir os maus hábitos do seu próprio partido e dos seus acólitos e uma em especial deveria ser fundamental: a afinidade intransigente ou aversão disfarçada ao exercício da democracia. Espero que a campanha seja suficientemente clara e transparente para propiciar aos eleitores a oportunidade de conhecer para definir qual dos dois candidatos seria mais confiável. Localmente, a questão da instalação do estaleiro entra em um lodaçal tão malcheiroso quanto pantanoso. Surgem versões das mais perversas: o impasse seria a associação de uma possível degradação do meio-ambiente a uma favelização da região ? credo quia absurdum! Como se a nossa região não expusesse a pior das poluições e degradações que o ser humano pode se submeter: o conjunto abominável da miséria, da ignorância, da fome e da violência que reinam invencíveis entre nós. A questão do estaleiro é para nós muito mais importante e premente que a eleição presidencial, até porque esta não será decidida aqui. O estaleiro sim, pode definir o futuro ou a ausência dele para muitos e muitos alagoanos. Portanto, tudo o que estiver relacionado a esta questão deve vir ao conhecimento público, sem embromações, por mais escabroso que o seja. (*) É médico e professor da Uncisal.