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Opinião

Tapando o sol com a peneira

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Nesses últimos sete ou oito anos tenho ouvido, ou lido nas páginas dos jornais, todo tipo de opinião sobre o governo do presidente Lula. Governo, é bom que se diga, que vem contando com índices de aprovação popular jamais vistos neste País. Apesar da minha idade, sou uma leitora diária e atenta aos acontecimentos ao meu redor, além de não perder os telejornais. Afora os conceitos ? ou seriam preconceitos? ? de figurinhas carimbadas, como a de um ex-presidente que parece sentir-se incomodado pelo fato de um sindicalista oriundo dos cafundós do Nordeste, ex-metalúrgico, vir obtendo uma atenção e respeito internacionais que ele, intelectual das elites, jamais sonhou ter; poucos são os que podem negar os avanços que o Brasil obteve nos últimos anos. O Bolsa Família, e outros programas sociais, vem sendo alvo de visões mesquinhas, de quem não consegue nem mesmo enxergar os benefícios aos milhões de seres humanos que foram tirados da miséria absoluta e, por isso mesmo, programas premiados internacionalmente, além de seguidos em vários países. Até nossa solidariedade ao povo haitiano, quando da tragédia que vitimou mais de 200 mil pessoas, vem sendo mostrada por alguns de forma distorcida. É como se o Brasil, que tem a segunda maior economia das Américas, não devesse aceitar as obrigações e responsabilidades que lhes são ? e serão cada vez mais ? inerentes no contexto continental. São pessoas que só conseguem nos ver como um País de segunda classe, submisso às potências estrangeiras. Outro tema polêmico que andou ocupando nossas páginas diárias nas últimas semanas foi o da instituição, pelo governo, da chamada Comissão da Verdade, responsável por apurar os excessos da repressão nos tempos da ditadura militar de triste memória. Só quem viveu aqueles tempos, só quem teve seus filhos mortos ou desaparecidos, sabe o verdadeiro horror que foi descobrir que nossos jovens, meninos e meninas idealistas, a maioria estudantes, estavam sendo submetidos ao tratamento cruel e covarde da tortura institucionalizada. Tive amigos e parentes brutalizados nos porões da ditadura, alguns ainda hoje dados como ?desaparecidos?. Países outros, alguns vizinhos nossos, como Chile, Uruguai e Argentina, que também tiveram suas ditaduras, decidiram que tortura e massacre de presos políticos são crimes não abrangidos pela anistia. É tema polêmico. Mas que não pode ser simplesmente varrido para debaixo do tapete. Tema que, inevitavelmente, virá à tona na próxima campanha presidencial. Vamos aguardar. (*) É escritora.

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