Opinião
Oitava Pascal
Hoje é o oitavo dia após a Páscoa. Na tradição judaica, os antigos patriarcas realizavam no oitavo dia após o nascimento carnal a circuncisão da criança. Para a nossa Mãe Igreja, a circuncisão necessária é a do coração, pois somos sua nova prole, seus recém-nascidos, por isso, o grande retiro da quaresma nos preparou para celebrarmos esse novo nascimento espiritual. Aquele tempo foi como um grande espelho posto à nossa frente, nele pudemos reconhecer nossas misérias e fraquezas, e pedir perdão dos nossos pecados. A reflexão e análise profunda por vezes ficam à margem em nossa sociedade contemporânea, fazendo assim com que o ser humano esteja somente na superficialidade, chegando até mesmo a fazer das suas relações epidérmicas. Contudo, os cristãos são sempre convidados a imergir, a ir ao largo, a aprofundar-se. Quem se propôs essa experiência na quaresma, pôde viver o sabor de uma Páscoa diferente; e hoje celebrar o seu nascimento espiritual na Igreja, como escolhido por Deus, circuncidado por seu amor. As coisas do alto, como diz o apóstolo Paulo, ganham novo vigor, de forma a olhar a realidade do céu como próxima, certeza da coroa à qual desejamos todos alcançar: nossa Páscoa definitiva. Para nós cristãos, o dia pascal é tão celebrativo, que se estende como oitava. Até este Domingo, cada dia a Igreja celebrou como o Domingo da Ressurreição, como o dia da Páscoa. E assim, nas vicissitudes da vida, podemos dia a dia, também celebrar o nosso nascimento. Com Cristo temos a certeza da nossa ressurreição. E como é bom tornar presente em cada Páscoa a nossa nova vida. Espero que não nos acomodemos, deixando-a ser conduzida pela adejar do vento. Seria não somente se desviar do sentido deste tempo, mas reduzir a mesma a uma mera sucessão de fatos. Viver a páscoa, esperá-la e prepará-la através da quaresma, celebrá-la com o grito ecoante do Aleluia, faz-nos tocar a realidade da vida que desejamos ter: a vida que Cristo nos proporciona. Essa experiência é única e inenarrável. Quem a experimenta pode dizer: somos filhos da Igreja, filhos da Páscoa, somos marcados por Nosso Senhor Jesus Cristo. (*) É seminarista e jornalista.