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Opinião

Continuando nossa visita � B�lgica

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No meio da Grande Praça de Bruxelas está o Mercado de Flores. Jasmins do Cabo, lírios, margaridas, magnólias, rosas, cravos, gladíolos, lilases, alfazemas, anêmonas, formam enormes tufos coloridos, rorejados de água. Ao longe lembram um quadro abstracionista. As diversas fragrâncias se misturam no ar e produzem um perfume meio enjoativo. Uma jovem amarra, com habilidade, um ramalhete de rosas-chá e o entrega a uma americana alta e enfanicada que o contempla sorridente enquanto a florista vai buscar o troco dentro da tenda. Ali por perto avistamos lojas que vendem preciosas antiguidades de épocas diversas. Vão do clássico ao moderno, passando pelo barroco, com sua efusão de dourados. Admiramos as belas peças e fomos conhecer o Manekin, a famosa estátua do menino que faz ?pipi?. Ficamos decepcionados com a insignificância da escultura que se tornou símbolo de Bruxelas e que por isso atrai tantos visitantes. Embora perfeita, do ponto de vista artístico e original na concepção, não justifica a fama de que goza. Faz parte de um chafariz que existe numa estreita e antiga rua dessa cidade. Visitamos apressadamente a grande loja de departamentos, Galeria Aspach, com vários andares, fizemos algumas compras e depois retornamos ao hotel para jantar. À noite caminhamos a esmo pelas ruas mal iluminadas da capital belga, mas não há muito que ver. Bruxelas é uma cidade morta depois das vinte horas. Decidimos ir dormir. Na manhã seguinte sairíamos cedo para Paris. O dia amanheceu sob uma chuvinha fina e fria que nos fez estremecer por baixo do casaco. Calçamos as luvas, pois nossos dedos estavam rígidos com a temperatura. Não sentíamos o tato, o que era bem desagradável. Apressamo-nos em direção ao ônibus que nos esperava à porta do hotel. O guia contou os componentes do grupo, como de hábito. Preocupado, sentiu falta de um dos passageiros. Foi procurá-lo no hotel, mas deu de frente com ele, que surgiu de uma das ruas próximas com um ramalhete de flores entre as mãos: era o aniversário da esposa e ele quis surpreendê-la com esse gesto romântico que tanto a emocionou. Foi buscá-las no mercado que visitamos na véspera, o qual nos deixou encantados. Aproveitamos para festejar a auspiciosa data com uma salva de palmas e o clássico ?Parabéns a você?! O veículo se pôs em movimento e, aos poucos, fomos deixando Bruxelas para trás. Voltamos a rever os campos e suas graciosas casas cobertas de palha. Quando atravessamos a fronteira da França, as paisagens mudaram como por encanto. É interessante como a cultura e a arquitetura diferem tanto de um país para outro. Só a língua, aqui, continuou a mesma, pois os belgas falam francês. (*) É membro da Academia Alagoana de Letras

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