Opinião
Estaleiro Eisa PT 48
Calei-me, faz tempo, por razão de ocupar um cargo público de confiança de Sua Excelência o governador Teotonio Villela Filho, e quase tão calado estive no governo do meu ex-aluno Ronaldo Lessa pela mesma razão. Foi um aprendizado presidir durante quatro anos o Instituto do Meio Ambiente no Governo Divaldo Suruagy e ser membro do Conselho Nacional do Meio Ambiente, participando, também, de várias câmaras técnicas, experiência que me leva a afirmar que conheço, e muito bem, o sistema. Ao longo da vida fui me desiludindo com Alagoas doente de uma espécie de paquidermite que a mantém no atraso secular, refém de interesses mesquinhos, espúrios talvez, individuais, políticos, principalmente, que confinam o povo em currais enquanto se vê o crescimento de nossos vizinhos. Listaria por aqui uma dezena de projetos e propostas apresentados a diversos governos visando alavancar o desenvolvimento regional, mas retrato como exemplo o Canal do Sertão, empreendimento que carrego nas costas há 28 anos. Exultei ao conhecer duas grandes propostas para Alagoas, amplamente divulgadas, uma usina nuclear geradora de energia elétrica; um estaleiro, fábrica de navios a ser implantado em Coruripe. Prendo-me às afirmações sobre o estaleiro EISA que constam do Parecer Técnico N.48 do IBAMA firmado por três analistas ambientais afirmando que a sua construção vai acarretar para AL a migração de trabalhadores em busca de emprego, gerando a favelização, sobrecarga nos serviços públicos, demanda de insumos aqui inexistentes, impactando também o sistema viário de estados vizinhos e a dinâmica da economia regional. Confina-nos, pois, ao subdesenvolvimento. O relatório não opina sobre a localização do estaleiro ? é ali porque o oceano é mais profundo e as correntes marinhas facilitam o aporte de navios de grande calado ? embora descreva a destruição de manguezais que podem ser objeto de compensações outras, ou replantio em dobro. Sem adentrar no mérito da competência de licenciar, assunto jurídico de grande complexidade, observa-se que há uma forma tendenciosa de redação que aponta para, mais uma vez, engessar Alagoas, ou, quem sabe, o governador que ora encontra saídas para o marasmo em que nos encontramos há décadas. Esse imbróglio poderá ser sanado se o Ibama se propuser a atuar de forma supletiva, sem buscar inviabilizar ? como o fez ? o licenciamento ambiental elaborado pelo IMA. O PT 48 ora exala odor nauseabundo e aponta para fogo amigo de alguns contumazes destruidores de ilusões dos alagoanos. Apurem-se as responsabilidades! (*) É engenheiro civil e consultor