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Das perenes recorda��es

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Do reconhecimento que a memória falha para acontecimentos recentes, vem a compensação de que as lembranças mais antigas permanecem vivas, embora ocasionalmente embaraçadas. Foi o que me aconteceu essa semana com o prematuro falecimento do ex-vice-governador Luiz Abílio,participante singular das minhas melhores lembranças dos tempos do Colégio Batista Alagoano, onde cursei o primário e o ginásio e o Abílio estudava, embora alguns anos mais adiantado. Naqueles tempos, idos dos fins dos anos cinquenta e sessenta, Maceió tinha apenas três colégios particulares qualificados aos quais os pais confiavam os seus filhos homens: o Marista, o Guido e o Batista, onde fui estudar e convivi como o seu diretor, o professor Jetro, uma personalidade marcante, tanto por sua dedicação ao ensino, como por sua cruzada contra os maus hábitos que podem corromper a formação do jovem, como o cigarro, o álcool e outros mais. O Colégio Batista tinha uma salutar vocação para a prática dos esportes. Eu, um pixote magricela, desajeitado e inábil, torcia desesperadamente pelos times do colégio na época dos jogos estudantis. Confesso, a memória me falha, não lembro se o Abílio jogava e o que jogava, mas sua figura, já naquela época, avantajada em relação à maioria, destacava-se, principalmente na liderança dos colegas. O tempo passou, cada um foi cuidar de sua vida e só voltei a encontrar o Abílio já como governador, quando do enterro do César Boi, vítima de um enfarto durante uma caminhada. Algum tempo depois, há cerca de ano, casualmente voltei a encontrá-lo junto com a esposa, Sandra, no pilates,onde passamos a conviver duas vezes por semana, que as dores das colunas e outras mazelas físicas precisam sim de cuidados. O seu desaparecimento foi muito prematuro. Todos lamentam, não só por sua figura de político equilibrado e confiável, como pelo ser humano afável, mediador, desprovido de vaidades fúteis. A perda de um ente querido para os que ficam é uma situação de dificílima superação; espero que a Sandra e os demais parentes possam alcançar o consolo que só o legado da jornada de um justo pode dar. Com dizia Carlos Drumond de Andrade: ?Do lado esquerdo carrego os meus mortos, por isso ando um pouco de banda?. O Abílio, como outros de igual cepa, além do que herdaram dos ancestrais em suas formações, teve ainda no colégio um forte suporte para consolidar as suas virtudes. Como andam estas coisas hoje? (*) É médico e professor da Uncisal.

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