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Exportar mais

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HUMBERTO MARTINS * Por mais que numerosas indústrias nacionais produzam artigos da maior sofisticação ? aviões, automóveis, equipamentos eletrônicos e muitos outros ? o grande trunfo do Brasil para se firmar como grande exportador está na agricultura e na pecuária. Em face da realidade, por todos conhecida, de que o Brasil dispõe de terras férteis, clima e água, mais do que qualquer outra nação. O aumento das exportações é apontado pela maioria dos economistas como a principal saída brasileira para suas graves dificuldades econômicas e financeiras. É pura e simplesmente inacreditável que, dispondo dessas vantagens, o Brasil se encontre agora em situação difícil para garantir o trigo de que depende o fabrico do principal alimento da sua população, o pão. Como a maior parte do trigo que abastece o mercado brasileiro procede da Argentina, a situação de descalabro econômico e social em que vive aquela nação põe em perigo a vinda para o nosso mercado desse produto vital. Para se tornar um grande exportador de produtos agrícolas ou indústrias, o Brasil precisa também importar. O comércio com o estrangeiro é uma via de mão dupla, porque quem compra nossos produtos pretende igualmente vender-nos. O mesmo ocorre com referência à exportação de manufaturados, porque raramente um produto industrial depende exclusivamente do que é fabricado entre fronteiras. Existem quase sempre componentes desse mesmo produto que são exportados. A safra brasileira de grãos 2000/2001 rompeu a barreira dos 100 milhões de toneladas, ao que informa a Companhia Nacional de Abastecimento-Conab, destacando-se que parte dessa safra será destinada à exportação. No tocante ao ano de 2002, as previsões são de que a safra de grãos fique em torno de 100 milhões de toneladas. O crescimento da produção de milho e soja foram os principais fatores que favoreceram o aumento da safra de grãos. A soja é decisiva para as exportações e o milho é imprescindível para o fabrico de numerosos pratos da população brasileira, além de ser componente fundamental das rações que garantem o criatório de porcos e frangos, esses últimos também importantíssimos para as exportações. A exportação de soja superou as melhores expectativas oficiais e deve-se principalmente ao emprego de novas tecnologias. Os financiamentos de bancos, com cobertura do Banco Central, para a próxima safra, devem ficar em torno de R$ 20 bilhões, com parte desses recursos a juros mais baratos e dirigida a cooperativas e agroindústrias. O esforço da agricultura e pecuária brasileiras, para aumentar suas produções, favorecendo o consumo interno e as exportações, é digno de nota, mas, ainda, há muito o que fazer. Para citar apenas um exemplo: a Índia com metade de terras aráveis, se comparada ao Brasil, tem uma produção de grãos que é quase o dobro da brasileira, alimentando mais de um bilhão de habitantes, acrescentando-se que a população brasileira é de 170 milhões de indivíduos, seis vezes menor que a indiana. Exportar mais é sinônimo de desenvolvimento econômico, gerando empregos e produção. (*) É DESEMBARGADOR DO TJ/AL

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