Opinião
Petr�leo, pequi e pr�-sal
Vivemos a época do pré-sal. Alagoas levanta-se para avaliar o que lhe sobra da grande festa que promete começar nas águas profundas, fronteiras aos estados do Rio e do Espírito Santo. No último suplemento Saber (10/4/2010) a Gazeta publicou artigo em que Evilásio Soriano afirma que nosso Estado assenta-se sobre extensa camada de sal sob a qual ? tudo indica ? jazem reservas de petróleo. Evilásio traz-nos novo alento. Ao ler a dissertação, lembrei-me da época do ?petróleo é nosso?, em que se gerou a Petrobras. Naquele tempo, em que nossa produção resumia-se ao poço de Lobato, na Bahia, Alagoas despontava como a grande promessa de abundância. Tínhamos ? diziam os entendidos ? um poço, em Riacho Doce. Lá, jorrara petróleo à beça. No entanto, vieram uns americanos e arrolharam o buraco com cimento. Carregávamos essa mágoa, quando apareceram as sondas da Petrobras. Estranhamente, os equipamentos não foram utilizados para reabrir o poço tampado. A companhia passou a furar as terras dos tabuleiros. Desconfiados, enxergávamos nesse fato, o dedo da Esso, procurando manter oculta a riqueza já constatada. De repente, a notícia: ?jorrou petróleo em São Miguel dos Campos?. A mágoa desapareceu. Dizia-se, até, que Alagoas seria um novo Texas: terra de petróleo e pistoleiros. Começaram a surgir amostras do precioso líquido. A Petrobras facilitava a distribuição. Para surpresa, nosso ouro não era negro, mas verde-oliva. Dizia-se que essa cor traduzia excelente qualidade. Obtive uma dessas provas: um frasco, com uns 100 ml de petróleo. Cheio de ufanismo, decidi mostrar ao povo do Sul, a riqueza alagoana: apanhei um vidrinho de penicilina, usado, e o enchi com um pouco de minha amostra. Depois de vedá-lo com breu e laçadas de arame, meti-o numa caixa, endereçada ao Mário de Barros Lima ? meu primo, estudante de engenharia na Universidade do Paraná. Feito o pacote, levei-o ao Lóide Aéreo, em cuja agência trabalhava outro primo ? o Geovah Arruda. Geovah foi peremptório: ?É proibido transportar material inflamável?. Danado da vida, corri para a Aerovias. Lá, o Paulo deu-me um formulário, onde eu deveria escrever o endereço e o conteúdo da encomenda. Escolado com a experiência anterior, não tive dúvida; sapequei uma mentira; escrevi o primeiro nome que me ocorreu:?óleo de pequi?. Não sabia bem o que era pequi. Sabia porém, que o óleo servia como remédio e não era inflamável. Assim ? disfarçada em árvore símbolo do cerrado ? a prova da riqueza alagoana chegou a Curitiba, onde ficou exposta como troféu do nacionalismo brasileiro. (*) É advogado e escritor.