Opinião
O humilde oper�rio
Admirável sabedoria de Deus! O papa Bento XVI não é igual a João Paulo II. É que Deus não gosta de repetição e de fotocópias. Ele só faz obras originais. Vamos celebrar, em 19 de abril, os cinco anos da eleição de Bento XVI para a cátedra de Pedro. E, a 20 de abril de 2005, no dia seguinte à eleição para o supremo pontificado, falando aos cardeais apresentou-se como o primeiro devoto do seu predecessor, exprimindo-se assim: ?Parece-me sentir a sua mão forte que aperta a minha; parece-me ver os seus olhos sorridentes e escutar as suas palavras, dirigidas neste momento particularmente a mim: Não tenhas medo!? E, sem medo, ele enfatiza a necessidade de enfrentar o relativismo dominante no mundo contemporâneo que leva a um laicismo reducionista. Donde veio este homem de olhos azuis de alegria? Criança, viveu aos pés dos Alpes e às margens de lagos. Teve uma primorosa educação clássica, marcada pelo amor às artes e à fé. Padre, bispo, Karol Wojtyla, seu predecessor, o chamou da Baviera para Roma e o tornou, durante 24 anos, o fulcro talvez mais importante do seu pontificado. Homem de Deus que sabe falar ao homem. No meio de tantos ventos de doutrinas, nestes últimos decênios, de tantas correntes ideológicas, de tantos modos de pensar, ele afirma que o seu verdadeiro programa de governo ?é o de fazer não a sua vontade e não perseguir suas ideias, mas colocar-se à escuta, com a Igreja toda inteira, da palavra e da vontade do Senhor e deixar guiar-se por ele, para que seja ele mesmo que guie a Igreja nesta hora de nossa história?. Homem discreto, ele é, como escreve Fernando Altemeyer Júnior, doutor em Ciências Sociais, ?um papa das correntes subterrâneas mais que das espumas do mar.? Confirma a escolha para uma Igreja colegial não fechada nos bastiões da tradição, quase saciada pela sua doutrina, mas aberta ao diálogo também ecumênico. Mergulhado no diálogo com os pensadores mais influentes de nossa época, insiste em pedir aos cristãos que aprofundem a fé de forma inteligente. Neste cinco anos, escreveu seis constituições apostólicas, dez motos-próprios e três encíclicas. Brindou o mundo com o livro pessoal, Jesus de Nazaré. Fez treze viagens internacionais. Pedimos a Deus para que o nosso papa continue sendo o ?humilde operário? que se colocou inteiramente a serviço de Jesus e da Igreja. (*) É pároco da Catedral.