loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

O novo c�digo de �tica m�dica e a morte

Ouvir
Compartilhar

A morte é assunto cheio de controvérsias, dúvidas e medo. Em vigor o novo código de ética médica, visa dar ao doente terminal uma morte digna, que evite procedimentos desnecessários em casos irreversíveis e cause menos sofrimento, uma prática chamada ortotanásia. Esta afirma que num determinado estágio, um doente - com câncer, por exemplo, que tenha metástase no pulmão ou cérebro e que sofre uma parada cardíaca - não seja reanimado. Este método poderá ser evitado do ponto de vista ético-médico, mas ainda não do ponto de vista legal, podendo sofrer penalidades. O ser humano não foi feito para morrer, ninguém quer se render a esta ideia, mesmo sabendo de sua fatal possibilidade. A maioria dos profissionais e pessoas lida mal com a morte, sinônimo de fracasso, intrusa que acaba com sonhos e planos; muitos evitam tratar o assunto perto de alguém doente e que sabe que seu momento está próximo. Assim se caminha para a morte em plena solidão e angústia. Morre-se sozinho, cercado de gente! A vida é um dom de Deus e, em qualquer estágio, preciosa ao Criador. Desde o primeiro capítulo das Sagradas Escrituras (Gênesis 1.28) o ser humano é chamado a ela e sua preservação. A morte, portanto é desnatural, causa medo e ansiedade, pois quebra um protocolo natural e segundo Romanos 6.23, está ligada ao pecado e julgamento de Deus. Isso não significa que Deus não se importe com a criação. O princípio dos mandamentos está na preservação da vida, e Deus, em sua misericórdia, recompõe o plano para preservá-la. O apóstolo Paulo afirma que Jesus com sua morte e ressurreição ?acabou com o poder da morte? (2 Timóteo 1.10). É instinto inato do ser humano negociar a vida até o fim, o exercício da Medicina está comprometido com a vida, assim como as pesquisas científicas. Mas a melhor maneira de se lidar com a morte, é ter consciência de que jovialidade, beleza e saúde, têm seu curso natural; podemos amparar e ?estar do lado? de quem sofre, mas especialmente saber e lembrar de que ela não é o fim da linha, há esperança! Assim, a mais digna das mortes é aquela que trata e cuida do ser humano como um todo, um ser biopsicossocial e espiritual. Amparar e cuidar das pessoas no todo, preparar e estar preparado para enfrentar a morte e luto. Este é o desafio para hospitais. As palavras de Jesus confortam, pois são um basta a ambientes que cheiram à morte, mostrando que ela é a última a ser vencida: ?Eu vivo, vocês também viverão? João 14.19. (*)É teólogo e pastor da Igreja Luterana, Maceió.

Relacionadas