Opinião
Velhos jornais
Articulista de limitados recursos, nesses últimos 14 anos tenho me esforçado para escrever algo de aproveitável, que possa ser lido sem muito sacrifício pelos amigos e parentes. Vez ou outra, consulto as edições antigas da Gazeta de Alagoas, faço uma rápida revisão do que escrevi, aproveito e aí dou uma repassada no noticiário da época. Publiquei os primeiros artigos em 1997/1998 para comentar novas orientações no vestibular da Escola de Ciências Médicas, que mudou o calendário das provas para não coincidir com outras universidades. A finalidade era clara: falida, a Ecmal resolveu fazer caixa com as taxas de inscrição. O resultado final foi catastrófico, posto que dois terços das vagas foram ocupadas por gente de fora. Alagoas viveria um dos seus momentos mais delicados, que culminaria com a renúncia do governador e a eleição de um governador de esquerda. Aliás, o esquerdismo estava presente em tudo. O próprio FHC, hoje escorraçado, era um esquerdista histórico, cujo passado o credenciaram a derrotar impiedosamente, duas vezes, o opositor Lula, que apostava no caos, ferrenho adversário do Plano Real, da CPMF, do Bolsa Escola (que considerava eleitoreiro, demagógico e o ?espelhinho do dominador?) e de tudo o mais que viesse do governo. O governo de FHC envolveu-se com várias patifarias ? compra de votos para reeleição, esquemas de beneficiamentos nas privatizações e outros que tais. Lula soube tirar proveitos e finalmente era eleito. Surpreendendo a todos, colocaria Henrique Meirelles para dirigir as finanças do País, que seguiu as linhas mestras do antecessor, até porque é a especialidade do cara. Mas a maior jogada de sua gestão foi a ampliação do Bolsa Escola para Bolsa Família ? o genial programa oficial de compra de votos, disfarçado de humanitário. Sob a égide do execrado Plano Real e o comando de Meirelles, o País atingiu estabilidade econômica, apesar de toda corrupção e das trapaças dos companheiros liderados pelo todo-poderoso José ?Guerrilheiro? Dirceu et caterva. Os jornais registram que em Alagoas, com Ronaldo Lessa, o funcionalismo voltou a receber em dia. Problemas sistêmicos, a saúde (o SUS), a educação e a segurança foram cambaleantes, chegando a um nível de impressionante degradação. Nunca se fugiu tanto do Baldomero como naquela época. A derrota de Lessa para o Senado quis parecer uma espécie de castigo também pelas evidências de enriquecimento anormal de vários de seus auxiliares diretos. (*) É médico e professor da Ufal.