Opinião
Pobreza extrema
Pelo menos 53 milhões de pessoas no mundo não sairão da situação de pobreza extrema até 2015. Ou seja, continuarão vivendo com menos de US$ 1,25 (cerca de R$ 2,20 por dia), como consta em uma matéria da BBC Brasil, publicada pela Folha Online, baseada em números de um relatório do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional divulgado na última sexta-feira que aponta como causa disso a crise econômica que retardou o ritmo de redução do problema nos países em desenvolvimento, dificultando o cumprimento das Metas de Desenvolvimento do Milênio estabelecidas pelas Nações Unidas em 2000. A crise financeira intensificou a fome no mundo em desenvolvimento. A meta crítica de cortar pela metade a proporção de pessoas que sofrem de fome de 1990 a 2015 tem muito pouca probabilidade de ser conseguida, uma vez que mais de 1 bilhão de pessoas lutam para atender às suas necessidades básicas de alimentos. Para o diretor-adjunto do FMI, Murilo Portugal, os efeitos da crise poderiam ter sido piores não fossem políticas adotadas nos países em desenvolvimento nos últimos 15 anos. Ainda de conformidade com o referido documento, ?os gastos sociais permaneceram fortes?. Ele cita o Brasil, ?que antes da crise estabeleceu um programa de transferência condicional de crédito altamente bem-sucedido, o Bolsa Família, ampliado após a crise?. Esta é mais uma questão ou desafio cujo enfrentamento será facilitado se a contribuição para isto constar entre os mais importantes e realizáveis compromissos dos políticos que lutam pela manutenção ou mudança de cargos eletivos, bem como por aqueles novatos na política partidária, mas naturalmente com maiores sonhos já neste ano. Estados como o nosso têm enormes desigualdades, com a maioria de suas famílias em deploráveis condições de sobrevivência ao longo de décadas. Até quando?