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Considerando que a morte de um artista sempre causa consternação, por que a notícia do falecimento do talentoso cantor, compositor e ator alagoano César Rodrigues, aos 63 anos, vítima de câncer, no dia 5 de abril, passou despercebida? Seu desaparecimento não teve repercussão, porque ele era uma pessoa humilde, introspectiva e avessa à badalação, o que parece um paradoxo, vez que o artista da música popular e das artes cênicas necessita da exposição para ser notado. Mas, no caso do saudoso amigo, o marketing pessoal nunca foi importante. Neto do notável jurista Manoel Rodrigues de Melo, que também foi cantor sacro, compositor e teatrólogo, César Oliveira Rodrigues de Melo herdou os dotes artísticos do avô, tendo atuado no teatro e no cinema, com participações destacadas em peças e longas metragens de sucesso produzidos em Alagoas, como, por exemplo, A Volta Pela Estrada da Violência, filme dirigido por Aécio de Andrade, vencedor do ?Prêmio Coruja de Ouro?, do Instituto Nacional de Cinema, em 1971. Nas décadas de 70 e 80, foi várias vezes campeão de festivais universitários de música popular, como intérprete e autor. Dentre suas composições é muito conhecida do pessoal da sua geração a canção intitulada América. A última aparição pública de César Rodrigues, como cantor, ocorreu em 2008, no Festival de Música Popular do Sesc, defendendo a toada estilizada Pequena Suíte Alagoana, de Robson Amaral Amorim e Marcos de Farias Costa, finalista daquele certame. César Rodrigues era ainda um dedicado servidor do Museu da Imagem e do Som de Alagoas ? Misa, onde realizou um inestimável trabalho de catalogação e preservação de todo o material fotográfico e fonográfico, num período em que o prédio do museu passou por reformas e o seu acervo ficou aboletado precariamente nas dependências da Secretaria de Cultura, correndo o risco de destruição. Naquela oportunidade, César Rodrigues transformou-se num verdadeiro guardião daquele patrimônio, chamando a atenção o extremado zelo com que ele o tratava, evitando assim que o material ficasse abandonado e fosse atingido pelas intempéries. Embora tivesse sido um funcionário público exemplar, ele não deve ser lembrado apenas como ?o César do Misa?, certamente seu talento ainda será reconhecido com a gravação e divulgação da sua obra musical. (*) É advogado, membro da Academia Maceioense de Letras e da Comissão Alagoana de Folclore.

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