Opinião
Tr�nsito fervente
Cada dia mais caótico, o trânsito em Maceió vai superando os níveis de estresse nos chamados ?horários de pico?, momentos onde os intervalos de almoço e jantar encavalam com as horas de ?troca de turno? no trabalho e com o deixar e pegar crianças nas escolas. Um pandemônio urbano, particularmente tumultuado no meio do dia e no crepúsculo. Apesar dos esforços do órgão público responsável pelo trânsito na Capital alagoana, não se vislumbra solução no patamar em que as coisas estão. Um dos obstáculos ao fluir do tráfego segue sendo a ?ruralização? urbana, onde a via pública é entendida com a extensão da propriedade privada. Especialmente em Maceió parece que o senso comum determina que a função principal da via pública é servir de estacionamento privado. Chega-se ao despautério de, em vários pontos de maior movimento e pressão por vagas gratuitas de estacionamento, o ?dono da calçada? garantir sua primazia ao perímetro com a colocação de cones plásticos. Avenidas como a Jatiúca (hoje com outra denominação, mas sempre reconhecida pelo nome original), ignorando o enorme volume de tráfego em seu leito, são utilizadas como estacionamento em duas de suas quatro faixas de rolamento. Essa retração em 50% da área destinada para o trânsito de veículos fica ainda mais reduzida defronte a determinados estabelecimentos onde, com a maior naturalidade, são formadas absurdas faixas duplas de veículos parados, forçando nesses pontos a um estrangulamento de uma única faixa disponível para a circulação. Nessa balbúrdia toda, um pensamento à toa: Se as ruas de Maceió fossem usadas para o trânsito de veículos, as coisas não seriam bem melhores? E mais: É função pública a oferta de estacionamento gratuito?... Pensemos nisso. Tempo para pensar temos de sobra, graças aos engarrafamentos nossos de cada dia.