Opinião
Aos queridos sacerdotes
Amados Irmãos sacerdotes de Cristo, Estamos no Ano Sacerdotal, querido pelo santo padre Bento XVI, porque com seu coração de sábio e prudente pastor da Igreja de Cristo, vê claramente as tremendas dificuldades e desafios de ser padre na época presente. Desafios? Sim! Além dos de sempre, da luta interior contra nossas tendências desencontradas - herança de filhos de Adão -, aqueles outros, decorrentes de um mundo secularizado, cada vez mais descristianizado e que tudo relativiza: Deus, o seu Cristo, a sua Igreja, a doutrina e a moral católicas... Parece que tudo pode ser barganhado e tratado na brincadeira! E os sacerdotes não são caídos do céu: são filhos deste tempo, com as tentações e fraquezas deste tempo e, no entanto, neste tempo, devem ser homens do céu, testemunhas da eternidade! E, precisamente, no Ano Sacerdotal, certa imprensa divulga velhos e já conhecidos escândalos perpetrados por alguns membros do clero há trinta, quarenta anos, com o único fito de desacreditar o santo padre e a Igreja de modo geral. Além do mais, alguns fatos recentes, dolorosamente verídicos, dentre os quais o escândalo inominável na Igreja diocesana de Penedo (minha Igreja Mãe, na qual fui batizado, crismado e na qual recebi pela primeira vez o sagrado corpo do Senhor; Igreja de tantos sacerdotes exemplares e de tão piedoso povo de Deus!). A vós, queridos sacerdotes, queria dizer uma palavra como bispo da Igreja de Cristo. Nunca vos envergonheis do santo ministério ao qual o Senhor vos chamou! Nunca deixeis que a má conduta vergonhosa e reprovável de uns poucos vos faça esquecer a multidão de tantos sacerdotes santos, que com amor e dedicação entregam toda a vida, de corpo e alma, ao serviço de Cristo e dos irmãos! Que a infidelidade ao celibato e a vulgaridade grosseira de alguns, tão abertamente reveladas nestes dias, não vos façam esquecer a beleza e o profundo sentido do estilo de vida ao qual o Senhor nos chamou: solteiros pelo amor de Jesus, solteiros pelo reino dos céus, solteiros porque imagem do esposo da Igreja, solteiros para a todos chamar de filhos em Cristo verdadeiramente e sem limites! Queridos sacerdotes, o Senhor vos chamou, o Senhor vos ungiu, o Senhor vos consagrou! Não vos esqueçais nunca que do vosso sacerdócio faz parte da participação na cruz de Cristo! Neste momento de prova e de dor para tantos de vós que, inocentemente, talvez sintais a desconfiança imotivada e preconceituosa de alguns, fixai o vosso olhar nAquele que por nós sofreu tão grande contradição: Jesus, o autor e consumador da nossa fé. Ele é tão belo! Quando nos fixamos nele, o mais amargo se torna doce e toda a treva se dissipa... Acolhei, pois, esta minha palavra de confiança em vós, de apoio, de conforto, de solidariedade! Sei do vosso valor e da vossa grandeza, da vossa generosidade e das vossas tribulações. Por isso senti-me impelido a escrever-vos de modo público para vos testemunhar todo o meu afeto no Senhor! Sei que este é o sentimento de todos os meus irmãos no Episcopado! Penso, portanto, também fazer-me intérprete do sentimento que todos eles nutrem por vós, nossos diletos cooperadores. Que Cristo Jesus vos abençoe, vos conceda a graça da fecundidade espiritual e vos faça cada vez mais santos e dedicados pastores do rebanho do Senhor! (*) É bispo auxiliar de Aracaju.