Opinião
A morte nas cabines
Tragédia recorrente, a morte acidental de crianças presas no interior de veículos teve mais duas dolorosas ocorrências, desta vez em Alagoas. E a repetição de tristíssimos acontecimentos desse tipo deve fazer com que medidas preventivas venham a ser tomadas. Uma das questões importantes a considerar é que os veículos tornam-se câmaras hermeticamente fechadas, estufas mortais para quem quer que tenha a infelicidade de ver-se trancado ali. Aquém de tragédias desta monta, até pelo simples conforto dos usuários, as fábricas de automóveis já deveriam ter se preocupado com a instalação de equipamentos que possibilitassem a singela circulação de ar no interior dos veículos fechados. Vivemos num País tropical, onde o calor é abrasivo e mais das vezes os veículos permanecem horas a fio sob sol escaldante. O interior dos automóveis transforma-se nessas ocasiões em verdadeira fornalha. Inóspito, o escaldante interior de um veículo fechado sob o sol brasileiro provoca uma série de prejuízos a equipamentos eventualmente deixados ali, além de ser altamente desconfortável e prejudicial à saúde a ocupação desses espaços nos momentos seguintes à abertura das portas. Soluções simples que não comprometessem a segurança do veículo poderiam ser incorporadas sem maiores investimentos. Não será difícil para nossa engenharia e design criar alternativas para a simples circulação de ar e a exaustão natural dos vapores aquecidos formados no interior das cabines fechadas. Com dispêndios de pequena monta poder-se-ia ter um conforto muito maior para todos e salvar-se-iam vidas de crianças eventualmente esquecidas ou presas (até por brincadeira infantil como a que motivou a dupla tragédia na cidade de Porto Calvo). Um pouco mais de atenção ao noticiário e as autoridades perceberiam a necessidade dessas medidas preventivas.