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Sogras

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Sogra é ?bicho? polêmico. Alvo de gozações e piadas, está sempre na moda. Dizer que não gosta da sogra é quase uma postura universal. Dizem que existem as ruins, as chatas e as quase mães. As mais faladas são as chatas. Ninguém é bom o suficiente pra seus filhos. ?Quem é aquelazinha que quer namorar o meu Beto? Tem nariz arrebitado, deve ser metida?. Qualquer argumento serve. Suas filhas são princesas e para elas, só Apolos. ?Tão magro este rapaz. Viu como o pai dele é? Vai ficar careca igualzinho?, e por aí vai. Este tipo de sogra o tempo cura, é só você se tornar um filho (difícil, mas dá). A ruim é mais rara. Não sendo boa sogra, não é boa mãe também. O tipo ?quase mãe? é a mais comum. Casa de sogra é sinônimo de permissividade, tudo pode. ?Tá pensando que tá na casa da sogra?? Ser genro é antes de tudo um aprendizado. Lembrar sempre: ela não é a sua mãe, é quase. Eu já tive duas sogras ótimas, diferentes completamente, marcaram minha vida. A primeira eu era muito jovem e fui morar na sua casa. Imagine pra ela o incômodo de ter um quase estranho, quebrando a rotina. Foi barra pra todo mundo! Na casa de meus pais tudo era diferente (quem mandou casar novo e liso?). Fomos nos acostumando, gostando um do outro, e assimilei de tal forma certas coisas que quando sai de lá, e até hoje, sinto saudades. O bife de panela, aquele maravilhoso e único doce de leite, as viagens pra fazenda, as reuniões da família. Depois, na separação, o que mais me fez falta foi o convívio, sogro e sogra, cunhados e sobrinhos. Tudo passa, as lições ficam, e da minha primeira sogra posso dizer que, de temperamento forte e sem papas na língua, dura quando necessário, foi sempre uma mulher invejável pela suas posições firmes de caráter e atitudes. Contava histórias engraçadas, e umas piadas inocentes sempre acompanhadas do seu riso solto. Sempre desejei um sócio assim, com suas qualidades de trabalho e honestidade. Sua imagem é muito viva pra mim. Beijo-lhe agradecido por tudo. O nome dela: Carmem Vasconcelos de Gusmão; pra mim: dona Carmem. Minha segunda sogra era a doçura em pessoa. Calma, justa, culta, alegre e engraçada. Louca por futebol, assistia a tudo. Agregadora, amava sem distinção. Exemplo de fé e coragem, transmitia isso o tempo todo. Nunca reagia nem opinava com raiva. Aceitou-me com 34 anos para casar com sua filha de 23. Já levava eu, dois filhos e um passado mundano. Não posso mais beijá-la, pois já se foi, mas agradeço a Deus ter estado perto dela. O nome dela: Leda Almira Simões Torres; pra mim: dona Leda. (*) É engenheiro civil e empresário.

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