Opinião
A morte do ensino m�dio
Estamos completando a primeira década do terceiro milênio vivenciando ?inovações? na área educacional, no mínimo, indesejáveis. Ficamos perplexos com o que estamos encontrando na mídia local! ?Venha concluir ou fazer o seu segundo grau em apenas três, dois meses ou um mês?. Ora, nós educadores sabemos que o objetivo do ensino médio é formar humanidades e que é humanamente impossível a efetivação da aprendizagem dos conteúdos programáticos das três séries em apenas 90, 60 ou 30 dias. Mas a epidemia de facilitadores da obtenção do certificado do ensino médio em nosso Estado está grassando livremente, como a chuva caindo das nuvens. O assunto é digno de uma investigação jornalística. Registre-se aqui a saudosa lembrança do maior educador do Estado de Alagoas, o padre Teófanes Barros, fundador do Colégio Guido de Fontgalland e do Centro de Estudos Superiores de Maceió: ?Ao aluno, todas as oportunidades, porém, nenhuma facilidade?. Os educadores verdadeiros sabemos fazer a lídima interpretação dessa assertiva. Tem-se conhecimento de que os alunos desses cursos milagreiros vão prestar exames em determinada escola de um dos Estados de Sergipe e Pernambuco, que seriam credenciadas pelo MEC para tal fim. Tem-se conhecimento, ainda, que todos os que vão, voltam 100% aprovados e felizes para sempre. Em estatística, isso é chamado de evento certo. O que é que está acontecendo gente? Tudo isso vem ocorrendo livremente, sem a manifestação necessária e esperada das instituições e/ou autoridades constituídas. Sem a formação necessária do ensino médio, o que podemos esperar dos futuros profissionais de nível superior egressos do esquema milagreiro supra mencionado? Os jovens têm um poder de comunicação muito grande. E a prática do esquema milagreiro já está se difundindo rapidamente entre eles. Dentro de pouco tempo, com certeza, quase todos irão buscar a solução milagrosa e pouquíssimos migrarão para o ensino médio tradicional. Parece razoável perceber a proximidade da morte do ensino médio, se as autoridades educacionais, a Assembleia Legislativa, a Câmara de Vereadores e o Ministério Público não tomarem as providências que o caso requer. É importante visualizar a desordem social que o fechamento das escolas de ensino médio acarretará. Mais desemprego e menos educação. Como educador, tenho certeza da função didática e pedagógica que a escola exerce na formação do caráter e da personalidade de cada jovem. Preocupa-me sobremaneira a escola que minhas netas encontrarão daqui a alguns anos. Espero em Deus que, em tempo hábil, sejam adotadas as providências cabíveis. (*) É educador e médico.