Opinião
Inquisidor intoc�vel
Está percorrendo o mundo o vídeo em que Luiz Barbosa foi protagonista. Como muitos ainda não sabem, o moralista e intransigente octogenário monsenhor de Arapiraca foi filmado em ações idílicas com outro homem. As cenas em si, tidas como banais para os entendidos, repercutiriam de forma desagradável entre os retrógrados, conservadores e preconceituosos que dão preferência àquele velho e bom relacionamento entre indivíduos de sexos opostos. Não só por isso, posto haver questões que vão além do direito constitucional de, dentro dos sagrados recessos do lar e de sua alcova, pessoa relacionar-se com quaisquer outras, independentemente do sexo, desde que consentida, os parceiros (as) de maior idade e com o senso crítico normal. Tudo indica que o cidadão que participava dos jogos sexuais com o agente de Cristo, recebendo e retribuindo aconchegos, preenchia in totum os preceitos constitucionais. Não obstante, alguns detalhes contribuírem para tornar o intercurso escabroso. É que o cinegrafista ? por ciúmes e certamente extorsão - fez questão de filmar o quarto do sacerdote, pleno de símbolos religiosos, do crucifixo a imagens da Virgem. A idade do monsenhor fazendo sexo oral com outro homem, a despeito de inusual vigor de campeão de luta livre, feriria profundamente os brios dos arapiraquenses em geral, muito além dos credos. Luiz Barbosa era uma reserva moral do município. Mas o pior estava para vir. Ex-coroinhas e respectivas famílias uniram-se e denunciaram anos de abusos sexuais, por vários religiosos da região, ainda quando eram adolescentes. Nos bacanais da tribo, eram conhecidos (as) por Simone, Mônica e Vera Fischer. Onde eu quero chegar. É um caso horrível, repelente sob todos os pontos de vista e que não pode ser deixado impune. Ocorre, no entanto, que um cidadão chamado Antônio Sapucaia, desembargador aposentado de Alagoas, depois de confessar todo o seu repúdio à pedofilia, em lúcido artigo na Gazeta de Alagoas, manifestou seu desagrado pelo modus operandi do senador Magno na condução dos trabalhos da CPI da Pedofilia, em Arapiraca. De fato, e isso é voz corrente, o citado político transformou a sessão num espetáculo midiático. Antes de ensaiar retaliações, intimidações de processos e prisões pelas críticas do desembargador, o intocável Magno deve saber que irá prender o povo alagoano, em franco desacordo de sua postura ética, aqui em Alagoas, como presidente de comissão de tal envergadura. (*)É médico e professor da Ufal.