Opinião
Refundar a verdade
Vindo a São Paulo para participar de mais uma Jornada Paulista de Radiologia,evento gigantesco,disparado o maior da América Latina, com mais de cem convidados internacionais, que reúne mais de 5 mil médicos, entre os que usam a radiologia para o diagnóstico (a imensa maioria) e os que a usam para tratamento, todos os presentes, embora através de métodos diferentes e variados, se defrontam com uma única perspectiva:é preciso avançar no aprimoramento das práticas dos procedimentos médicos para beneficiar as pessoas. Quando existirem falhas e inadequações, elas devem ser corrigidas,superadas por procedimentos melhores,pois o avanço na ciência só ocorre se totalmente amparado em sua única cláusula pétrea: a verdade. Quando passei para os intervalos das atividades científicas, no papo do cafezinho, os colegas nos abordaram sobre o escândalo dos padres pedófilos de Arapiraca. Registrei que estes acontecimentos lamentáveis não são vistos apenas em Alagoas, mas têm ocorrido em escala universal, além do que a sociedade alagoana como um todo se sente muito constrangida com o episódio e o repudia consensualmente e que grande parte da mídia alagoana repudiou publicamente o sensacionalismo criado pelo senador Magno Malta, em decorrência desta tragédia. Inclusive o vigoroso artigo publicado no domingo passado nas páginas desta Gazeta pelo desembargador Antônio Sapucaia findou em um pronunciamento de Malta,quando então usando a tribuna do Senado, de forma jocosa e desrespeitosa à respeitável figura do dr. Sapucaia, o acusou de estar ao lado dos pedófilos. Malta, que tem na base de sua cruzada um princípio mais do que salutar, pois a pedofilia é uma patologia das mais graves e precisa ser abordada e tratada com o rigor devido, mostra em um desprezível momento como este, quando inverte os valores,quando ?refunda? a realidade,que a sua cruzada não se sustenta no postulado básico da ciência; a crítica faz parte do processo de aprimoramento.Perde credibilidade a sua atuação. A lateri, outro episódio tentou ?refundar? a verdade: o site oficial na internet da candidata Dilma Rousseff mostrou um clipe onde entre duas imagens da candidata mostrou uma mulher na célebre passeata dos intelectuais, estudantes e artistas contra a Ditadura, insinuando que era a candidata. Logo a mulher foi identificada como Norma Bengell, musa da época. A insistência com a repetição das mentiras até que se tornem uma verdade é uma prática própria dos adeptos do totalitarismo, que teve em Goebells seu maior guru. (*)É médico e professor da Uncisal.