Opinião
Sementes do amanh�
JOSÉ MEDEIROS * Nesta semana dedicada ao Folclore (22, Dia Internacional do Folclore) há de se fincar pé no posicionamento de que é necessário conhecer melhor a cultura popular alagoana. É acervo que merece ser valorizado e reconhecido, principalmente pelas novas gerações. São dignas de louvor iniciativas públicas e particulares que levam às escolas a contribuição desses ensinamentos, discutindo cultura popular e folclore. Por parte das escolas, deve ser incentivada a formação de grupos folclóricos estilizados, mas que não percam a relação com suas origens. Os grupos folclóricos originais, populares, mantidos com muito esforço pelos seus mestres e dirigentes, garantem que essa sabedoria popular passe de geração em geração. Escolas e grupos autônomos cantam e dançam nossos folclores valorizando o que temos de muito autêntico. Lembro-me, na década de 70, do professor Pedro Teixeira conduzindo o pastoril da Universidade Federal de Alagoas - Ufal - e grupos folclóricos de escolas do sul do País, como também do sucesso que alcançavam em suas apresentações. Eram grupos estilizados, embaixadores da cultura popular alagoana. Influências e mudanças ocorridas nas últimas décadas não podem e nem devem atingir nossas origens e tradições. Seria absoluta descaracterização do que é nosso, presença de nosso passado. São muitas as mudanças. Palavras estrangeiras substituem vocábulos usuais; música estrangeira invade domínios da música popular brasileira; hábitos e alimentos vêm de fora para substituir e modificar nossa maneira de viver e de nos alimentar. O problema não é ser contra, ser conservador, ou odiar o que vem de fora. Nada disso: o problema é saber aproveitar o que é bom e separar o que não é, uma vez que temos muitas coisas no País que são melhores que as estrangeiras. Afinal, há de se defender componentes de nossa identidade cultural. Folclore é bem definido quando se diz ?que traduz ao vivo a alma de uma raça, pois é genuíno no seio de cada povo, distinguindo-o de outras coletividades. É o retrato vivo dos sentimentos populares e das reações do povo ante as transformações sociais?. Numa discussão sobre patrimônio cultural, um professor abordou o tema da gradativa descaracterização de manifestações culturais brasileiras. Insistiu no ponto de vista de que se não reagirmos em defesa de nossas fontes culturais um dia poderemos amanhecer um outro País, globalizado, internacionalizado, alienado de sentimentos nacionais. É indiscutível o valor do estudo de manifestações folclóricas na tarefa educativa, no pré-escolar e no ensino fundamental. São sementes plantadas no hoje, para serem colhidas no amanhã; podem resultar num melhor conhecimento e valorização de legítimas manifestações da sabedoria popular. Muitos estudiosos do folclore defendem a obrigatoriedade desses estudos na grade curricular do ensino fundamental. É tema que merece ser discutido. (*) É MÉDICO E EX-SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO E DE SAÚDE