Opinião
O vizinho presidente venezuelano
A inclinação do presidente Lula por certas criaturas abjetas do cenário mundial nos deixa a dúvida sobre sua responsabilidade ou sobre suas tendências políticas. Vejamos: Hugo Chávez com sua prepotência ditatorial; Mahmoud Ahmadinejad, tirano e assassino com suas atitudes desequilibradas em relação aos USA e a Israel; Fidel Castro, despótico, com um passado de criminalidade; Evo Morales com sua política arbitrária; Manoel Zelaya, por quem se tomou de simpatia a ponto de hospedá-lo com 70 pessoas em nossa embaixada por dois meses e meio, insistindo em fazê-lo voltar ao governo, mesmo tendo ele rompido com as normas da Constituição de Honduras. Essas são algumas das celebridades que gozam da amizade de Lula. Agora mesmo recebe a visita do intolerável presidente da Venezuela. Este, metido e inconveniente como é, foi logo palpitando nos negócios internos do Brasil, como seja demonstrar sua opinião por esse ou aquele candidato à Presidência na próxima eleição. Claro que para agradar ao vizinho amigo, sua eleita foi a candidata de Lula. Até parece que conhece a ex-guerrilheira de outros carnavais! Disse um jornalista com sabedoria: ?Chávez parecia estar no quintal de sua casa?. Chávez está há 11 anos no governo e parece não querer arredar o pé do Palácio Miraflores tão cedo. Alegou que a Carta só prevê eleições para 2020, e que a Venezuela ainda não escolheu candidato. Lá só existe um único partido, Partido Socialista Único da Venezuela. Depois de comandar um golpe de Estado, sem sucesso, contra o governo de Carlos Andrés Pérez, Chávez, que era um oficial de carreira, liderou o Movimento Quinta República, da esquerda política. Foi eleito o 53º presidente da Venezuela. Com uma campanha apoiada em promessas de auxílio aos pobres do país e o respaldo de numerosos referendos e eleições, Chávez conseguiu se reeleger, sendo vitorioso nos pleitos de 2000 e 2006. Alcançou grande popularidade e então reuniu vários partidos de esquerda. Centralizou o poder e controla a Assembleia Nacional, o Tribunal Supremo de Justiça, o Banco Central e a indústria petrolífera. Modificou a Constituição dando mais poderes ao presidente. Com o correr do tempo e duas reeleições, Chávez foi se tornando cada vez mais autoritário, desrespeitando os direitos humanos. Ultimamente ele parou a transmissão das televisões privadas, que só podem difundir as notícias permitidas pelo governo. Nacionalizou todos os bancos. Chávez defende o que denomina de socialismo do século 21 e é contra o neoliberalismo, a globalização e as relações exteriores dos Estados Unidos. Vários presidentes americanos acharam que Hugo Chávez era uma ameaça à democracia na América. Nos primeiros anos de governo, a condição da pobreza melhorou na Venezuela. Mas ultimamente, com a tradicional política econômica do país, a produção de alimentos rareou. O petróleo é a maior riqueza da Venezuela. Mas, apesar disso, o país atravessa uma enorme crise. Ele chegou a aconselhar o povo a tomar menos banho para economizar a água e a energia. O nível de pobreza do país é hoje um dos maiores do mundo. (*) É membro da Academia Maceioense de Letras.