Opinião
Sa�de p�blica um desrespeito
Há anos que as reclamações contra o SUS ? Sistema Único de Saúde ? vêm acontecendo. Em nenhum lugar do território brasileiro existe uma satisfação plena. Os governos federal, estadual e municipal, explicam, explicam, dizem que vão tomar providências, mudam planos de trabalho e atendimento, mas as coisas continuam da mesma forma. Os hospitais e os profissionais da área reclamam dos baixos valores pagos pelo governo. Greves acontecem, subterfúgios para faturar além das cotas pagas pelo governo para os procedimentos tornaram-se práticas normais. Hospitais lotados, clínicas idem, pessoas morrem por falta de atendimento, por erros médicos e por falta de remédios. Enfim, a população paga e muito caro. O contribuinte faz sua parte, paga a Previdência Social e não vê resultados. A meu ver, saúde é a prioridade das prioridades, tem que ser completa. Você deve estar se perguntando o que me levou a esse desabafo. Pois bem! Semana passada um funcionário meu chegou ao trabalho com dores em uma das mãos e sem condições inclusive de movimentá-la. Ficamos preocupados e até pensando em um possível derrame ou enfarte. Rapidamente nos dirigimos ao Hospital Geral do Estado, onde o nosso funcionário foi encaminhado a um clínico geral de plantão. O digníssimo ?doutor? recebeu nosso paciente sentado e sentado permaneceu, ouviu rapidamente a reclamação dele e sem sequer tocá-lo disse que não era nada, talvez um mau jeito no trabalho, recomendou fazer uns exercícios, sequer verificou sua pressão arterial, e apesar de minha filha ter-lhe passado preocupações a respeito do estado de saúde do funcionário, ele não deu ouvidos, e nada prescreveu. Diante de tal desrespeito ao ser humano, num hospital público que deveria dar exemplo, e do atendimento abaixo de qualquer crítica, por parte do médico que tem seus salários pagos pelo contribuinte e, diante dele estava um dos seus ?patrões?, um dos que contribuem para seu salário, resolvi levá-lo à Santa Casa de Misericórdia de Maceió. Pagamos R$ 130,00 por uma consulta a um clínico geral, para realmente avaliar o que estava acontecendo. Lá foi bem atendido, numa consulta de mais ou menos 30 minutos, pela dra. Carolina Le Campion, que o encaminhou a um ortopedista. Mais uma consulta e mais R$ 130,00 pagos e o dr. Roberto de Oliveira concluiu o diagnóstico, os procedimentos e solicitou os exames necessários, além de diversas recomendações. Agora, posso dizer que sou testemunha ocular do desrespeito com que são tratados os usuários do SUS. Devem haver exceções, é claro, mas na maioria das vezes é assim. Espero um dia, antes de partir para outro plano, ver o meu País, o meu Estado, curado dessa horrível doença que é o desprezo ao ser humano. Omiti o nome do médico, se é que devo chamá-lo de médico, para evitar problemas, pois se como médico atende dessa forma, deve ser uma pessoa intratável e não quero polemizar com tal criatura. (*) É bacharel em História.