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Opinião

Sem mudar de faixa

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Ao despedir-se do posto de presidente do Detran/AL, o desembargador aposentado Antônio Sapucaia informou que o saldo em caixa, naquela data, era de R$ 15 milhões e mais algumas frações. Dado que não é nenhum segredo, posto que as contas governamentais estão disponíveis ao público via internet. Mas o zelo cívico do dirigente, ao deixar o posto público, é exemplar ao prestar contas, mesmo em termos resumidos, do essencial do trabalho realizado na instituição. A cifra desperta a atenção para o potencial de recolhimento de tributos por parte de um órgão público alagoano. Sabe-se, naturalmente, que uma série de dispêndios são necessários na modernização da própria instituição, que necessita de nova e modernas instalações para ampliar suas condições de trabalho, atendendo mais e melhor ao usuário, e, consequentemente, multiplicando sua capacidade arrecadatória. Numa visão estreita e equivocada, alguns poderão achar que os recursos arrecadados devam ser partilhados inter corporis, confundindo a autarquia com uma empresa privada e a condição de servidor público com acionista majoritário. Outros, mais atentos, perceberão que os recursos coletados pelo órgão público são públicos, passando a integrar o erário e dele sendo reinvestido de forma equilibrada e coerente com o orçamento estadual conforme previsto. Felizmente, a alternância no Detran se confirma com a manutenção da distância recomendada do comando daquele órgão das indicações partidárias/eleitorais, prática de triste memória num órgão tão importante quanto cobiçado. Como em todo câmbio de comando, um novo estilo deverá ser implementado, o que costuma ter efeitos salutares. O importante será a manutenção da seriedade no trato da coisa pública associada com a permanente ampliação da eficiência funcional.

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