Opinião
A maravilhosa mama feminina
Em meio ao turbilhão de protestos, o dia 7 de setembro de 1968 foi marcado pelo Bra-Burning, a Queima dos Sutiãs. Centenas de ativistas do Women?s Liberation Movement se reuniram em Atlanta, em frente ao A.C. Convention Hall, para protestar contra a eleição da Miss América, Jordi Ford, que ocorria dentro do prédio. As ativistas gritavam do lado de fora,reunindo em uma lata de lixo todos os objetos considerados ideais para que uma mulher obtivesse status de beleza: cílios postiços, maquiagens,revistas femininas,espartilhos, cintas, sapatos de saltos altos e sutiãs. A ?queima dos sutiãs? representou a conquista da liberdade perante o modelo vigente. Abundantes, fecundas, fartas, férteis, as mamas não são apenas glândulas que perfazem a anatomia. Cognominadas ?árvores da vida?, por seu interior se assemelhar a uma árvore, as mamas permeiam a história da humanidade, tanto que o desejo e a curiosidade do homem pelas mamas remontam à Pré-história: a representação mais antiga de um ser humano é a estatueta ?a Vênus de Willendorf?,que mostra uma mulher com tetas fartas, datada de 24.000 a.C. As mamas femininas projetam no imaginário coletivo sensações das mais diversas. São capazes de provocar em ambos os sexos sentimentos como desejo,beleza, confiança, inveja,amor, paixão,responsabilidade,esperança e cuidado. Delacroix, representante do romantismo francês no século 19, exprime, em sua pintura O Povo, firmeza,contundência e obstinação. Na tela, estes sentimentos estão retratados na imagem de uma mulher (a liberdade) com os peitos de fora carregando a bandeira francesa e incutindo nos combatentes a coragem para enfrentar o inimigo e vencer a batalha. Considerada a primeira pintura moderna, o quadro celebra a revolução francesa e a supremacia do povo sobre a tirania. Objetos do desejo masculino, os seios instigam também o erótico, a fantasia, o êxtase associado ao corpo feminino. A sexualidade é fator inerente às mamas. Na tela O Sonho (1932), da fase cubista de Pablo Picasso, o artista extravasa seu fascínio pelo corpo da mulher e gosto pelo sexo, tendo como destaque as mamas da modelo. Debret, pintor francês retratou os mais belos seios das nativas brasileiras da então colônia portuguesa; lembrem das lendas das amazonas, mulheres selvagens de tetas extraordinárias que enlouqueciam os homens. Mas, o primeiro seio inesquecível é o da mãe para quem teve a sorte de dele sorver o calor, o carinho e o aconchego do leite materno e infelizmente, a mama também é sede de graves enfermidades, mas isto é outra história. (*) É médico e professor da Uncisal.