Opinião
Cordeiro, requiescat in pace
Entendemos que estejas vivendo momentos mais felizes. Hoje estás liberto do jugo da matéria que certamente passou a ser alimento dos germes. A carne retornou à origem e o teu espírito repousa na eternidade. Quando habitavas este planeta tinhas dúvida da espiritualidade, achavas que o materialismo era o final. Morrestes e ao deparastes com a outra vida vistes ser a mesma a antítese perfeita da que hoje nós vivemos. A morte já não predomina sobre ti, mesmo sendo considerada como salário do pecado não mais faz parte do teu cotidiano no além-túmulo. Cordeiro, ou simplesmente Albérico como eras conhecido no Grupo Escolar Oliveira e Silva e no Ginásio Nossa Senhora do Pilar, estabelecimentos de ensino onde juntos fomos colegas. Temos na lembrança a eloquência dos discursos proferidos no Grêmio Cultural do ginásio em foco. Naquela oportunidade demonstravas vocação para o jornalismo e para política, tendências mais tarde transformadas em realidade. Como jornalista vem a recordação dos teus artigos polêmicos veiculados na imprensa escrita alagoana e posteriormente em Brasília, no Jornal Brasiliense, destacando-se como um dos melhores jornalistas políticos da época. Fostes eclético nas tuas afirmações orais e escritas. A tua voz era estridente e vezes contundente ao ponto de chamar atenção. Na política ocupastes por cinco mandatos consecutivos o cargo de deputado federal, defendendo sempre com brilhantismo e capacidade os interesses da nossa Pátria, particularmente do Estado de Alagoas. Não fomos amigos íntimos, mas não chegamos a tanto nos distanciar, acreditamos em decorrência de sermos conterrâneos e ex-colegas de educandários. Destacamos pilarenses com quem tu mais te relacionavas, dentre eles: Antônio Sapucaia, teu inseparável e confidente amigo, Pedro Anílson, Aranda (locutor oficial das campanhas políticas), Luís Américo (falecido), Laudicéia Guedes e outros. E agora, ao final desta homenagem póstuma podemos afirmar, sem medo de errar, que a tua trajetória neste vale de lágrimas não foi em vão e, mais importante, não deixastes registros que maculem o teu nome, vez que a tua personalidade fora a resultante do somatório do caráter do teu pai, o conhecido Zé Barracão e da tua amada e querida mamãe Benedita. Nas tuas caminhadas sempre honrastes a terra que te viu nascer. Cordeiro, não te damos adeus, mas até logo porque todo ser humano ao nascer já é condenado à morte. Descanses em paz e o Senhor te ilumine. (*) É advogado, bel. em História e membro da Associação Alagoana de Imprensa. ([email protected])