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Falta algu�m no TPI

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Uma das maiores tragédias da humanidade estará em breve completando 28 anos. Trata-se do massacre praticado pelo grupo paramilitar libanês Partido Falange nos campos de refugiados palestinos de Sabra e Chatila em Beirute Ocidental, no Líbano. Na noite de 16 de setembro de 1982, cerca de 150 terroristas cristãos de extrema direita da Falange invadiram os acampamentos e mataram covardemente cerca de três mil civis desarmados e indefesos, entre mulheres, velhos e crianças ? além de animais, como gatos, cachorros, ovelhas e cavalos: ninguém, nada foi poupado. A ação durou três dias seguidos. Os vândalos atacaram com armas pesadas e baionetas, cujas lâminas afiadas foram empregadas para excarcerar os fetos das mulheres grávidas. Indefesas e aterrorizadas, as vítimas sequer esboçaram reação. Três semanas antes do ataque, combatentes palestinos da OLP (Organização para Libertação da Palestina) instalados em Beirute deixaram a cidade protegidos pelas forças das Nações Unidas, com o declarado propósito de evitar um confronto com as tropas israelenses que haviam invadido o Líbano três meses antes ? a primeira invasão, mas não a última: o histórico de violações por parte de Israel contra a soberania do Líbano é, por si só, um atentado à paz mundial. A falange cristã-terrorista encarregada de perpetrar o massacre não agiu sozinha. Por trás dela estavam o exército sionista e o Mossad, a temida polícia secreta israelense. O comandante-chefe das tropas invasoras era justamente o ministro da Defesa de Israel, essa figura abominável que hoje, moribundo, vegeta no leito de morte ? o assassino Ariel Sharon. Foi ele o principal artífice desse morticínio que causou revolta nos países civilizados, até mesmo dentro das fronteiras do Estado judeu, malgrado a cortina de silêncio imposta pela mídia ocidental, comprometida com a manutenção do status quo vigente no Oriente Médio. A Corte Suprema e o Parlamento de Israel responsabilizaram pessoalmente o então ministro da Defesa pelo extermínio; ele perdeu o cargo, mas depois voltou por cima, na condição de primeiro ministro, ungido pelo que há de pior na escória radical de seu país. O relato das atrocidades percorreram o mundo e expôs a perversão dos dois protagonistas dessa história infame: o exército clandestino dos cristãos maronitas do Líbano e o exército regular do Estado judeu, um misto de democracia interna e autoritarismo externo. Sharon deveria enfrentar todas as acusações que pesam sobre ele perante o Tribunal Internacional Penal. A cortina de impunidade aberta pelos americanos o salvou, de modo que a depravação moral, base da estratégia de dominação que ajudou a arquitetar no tabuleiro político do Oriente Médio, só será castigada no inferno, para onde eu penso que irá sua alma penada. Para fugir ao TPI ele contou com o apoio incondicional do cúmplice de todas as horas ? a direita fascista da Europa e dos Estados Unidos. Mas o seu lugar no banco dos réus está guardado. Ao julgamento da História ele não escapará. (*) É professor de Direito Penal.

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