Opinião
Curtindo a Filarm�nica de Berlim
O governador Divaldo Suruagy telefona: ?Deputado Rubens Villar quer ir à Alemanha?? Sabia que o Palácio dos Martírios, com a minha ausência, queria atender a um pleito do também valoroso deputado José Bandeira que desejava indicar o candidato a prefeito de Delmiro Gouveia, sem uma boa disputa. O meu candidato era o cônego Fernando Soares Vieira, muito popular na região. Ocorre que o ?padre Fernando? como era conhecido, havia me comunicado na noite anterior que a Diocese de Palmeira dos Índios não havia autorizado a sua candidatura. Diante das circunstancias, aceitei o convite para viajar com os companheiros da Associação Brasileira de Municípios. Foi muito proveitoso o curso sobre administração pública ministrado pelos mestres da Fundação Alemã para o Desenvolvimento Internacional. Passamos um mês no país. Nos momentos de folga conhecemos muitas entidades e monumentos símbolos: O Muro de Berlim; o Portão de Branderburgo; o Reischstag, o Parlamento Alemão; a Prisão de Spandau, que abrigou Rudolf Hess por mais de vinte anos, um dos cardeais do nazismo; o famoso Café Kiss, onde a regra é a mulher convidar o homem para dançar, sem receber não; os ganchos de açougue onde foram dependurados generais e coronéis que tramaram o assassinato de Hitler, na Toca do Lobo, em Rastrenburg, na Prússia Oriental;o local onde existia a Chancelaria e o Bunk de Hitler. O que mais me encantou foi curtir a famosa Filarmônica de Berlim. Mais de cem virtuosos músicos manuseando violinos, violoncelos, contrabaixos, flautas, oboés, clarinetes, trompetes, aplaudidos e ovacionados por um bom tempo, pela bela sociedade berlinense! É impressionante o amor dos alemães pela música clássica. Fiquei imaginando como uma orquestra de tanto prestígio foi obrigada a homenagear Heydrich, chefe da segurança do Reich, o homem de coração de ferro, que fazia parte do grupo do terror com Himmiler, ministro do Interior e líder das SS, e Reinrich Muller, chefe da Gestapo, a Polícia Secreta do Estado, personagens que dominavam com mãos de ferro a Alemanha nazista, fazendo frente até a Wehrmacht, o poderoso e temido exército nacional. Ao mesmo tempo lembrei que aquele também é o país de compositores magistrais como Bach, Beethovenn, Goethe e Wilhelm Richard Wagner, o autor de O Navio Fantasma ou O Holandês Errante, a ópera executada naquela maravilhosa tarde de domingo. (*) É ex-deputado, ex-senador, ex-governador do Estado de Roraima.