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Opinião

A Copa no radinho de pilha

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A convocação da seleção brasileira, como não poderia deixar de ser, causou imenso frenesi que variou da aprovação exacerbada à contestação mais acirrada; nenhuma das adesões foi mais empolgada e envolvida pelo ardor futebolístico do que a manifestação do Congresso Nacional, onde os ilustres parlamentares, totalmente envolvidos pelo frêmito patriótico que assola os torcedores nesta época, simplesmente decretaram que os trabalhos legislativos em Brasília vão parar durante a Copa. Natural e justamente, existem outras categorias especiais, como os doutos foros judiciais federais (que somando as férias de 60 dias, o recesso e os feriados, não trabalham 155 dias, dos 365, ou 42% dos dias do ano), onde os trabalhadores terão também o direito sagrado de ver a Copa em televisões de plasma e condições de conforto compatíveis às referidas autoridades. Ocorre que a maioria dos trabalhadores normais também vai querer ver os jogos, torcer, vibrar e até sofrer com os reveses que porventura possam vir e terão de continuar trabalhando. A verdade é que nestes dias o País não para: algumas profissões, como médicos e equipes de apoio, polícia, bombeiros, comerciários, operários, continuam trabalhando e, outros, como os jornalistas, garçons e os cozinheiros de bares, vão trabalhar acima do normal. Peri a passu a este modus vivendi verificado no País no presente, comparando trabalhadores do setor público e privado, o futuro ainda reserva uma perversa diferença de ordem financeira, que mostra o imenso descompasso, a gigantesca discriminação quando tentarem se aposentar, o que também para os da iniciativa privada sempre é conseguido de forma mais demorada, difícil e penosa. Segundo o Ministério da Fazenda, o déficit público com os servidores federais é de 24.3 bilhões, repartidos entre os 722.903 aposentados e inativos, que recebem uma média mensal de 4.575 reais, o que dá um déficit per capita de 33.196,00 aos cofres públicos; os 23 milhões e quinhentos mil aposentados do INSS têm a vergonhosa média de aposentadoria de 713 reais, o que dá um déficit de apenas 2.157,00 per capita. O trabalhador privado brasileiro na aposentadoria também não valerá nada. Justificativa (?): os servidores públicos são bancados pelo Tesouro (que neste caso só pertence e beneficia a um minoritário grupo) e os inativos do INSS, só pelo INSS; daí, estes enjeitados e desprotegidos, vão acompanhar a Copa trabalhando duro e escutando as defesas de Júlio César e os gols de Luis Fabiano, na melhor das hipóteses, pelo radinho de pilha. (*) É médico e professor da Uncisal.

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