Opinião
A primeira d�cada
Contrariando os sonhos das centúrias passadas, o século 21 continua tão distanciado da paz quanto os tempos anteriores. Soa especialmente trágico e desalentador os repetitivos discursos onde a formulação ?guerra contra a guerra? anuncia a continuidade das carnificinas e, como nos conflitos de antanho, busca-se justificar as ações sangrentas. Ironia sanguinolenta, a formulação ?uma guerra para acabar com todas a guerras? teria sido dada à 1ª Grande Guerra Mundial (1914-1918), catástrofe desumana que foi seguida pela 2ª Grande Guerra Mundial (1939-1945). Ambos conflitos registram, além dos números estonteantes de mortos e feridos, avanços inpressionantes na tecnologia assassina (assim como saltos em vários outros campos da ciência com aplicações meritórias, deva-se reconhecer). O balanço da primeira década do século 21 exibe-se muito distante do sonhado para a ?era de Aquário?, o que mereceria da opinião pública global uma melhor atenção à paz e uma maior cobrança das lideranças de cada país por seus povos e seus eleitores num grande esforço por mudanças verdadeiras. A internet e todas as facilidades de comunicação e interação internacionais oferecidas pela contemporaneidade deveriam incentivar mais ao surgimento de redes de pressão pela paz. Mas até neste campo parece que as almas belicosas têm mais facilidade de trânsito e de manifestações. A primeira década da ?Aquarius age? tem tudo para inspirar reflexões acerca das guerras, do terror, da agressão à natureza e de tudo que os sonhos dos tempos passados imaginaram para este nosso tempo presente. Estamos apenas no começo de um novo século, ainda podemos abolir expressões e práticas de coisas como ?guerras às guerras?, ?terror contra terror?, ?violência contra violência? e outras pérolas de sangue.