Opinião
Vandalismo em tempos modernos
Todos os dias assistimos pela televisão a cenas de vandalismo, hora provocados por torcedores revoltados com a derrota do seu clube preferido, hora causados por adolescentes sociopatas que têm prazer em quebrar tudo, sentindo com tais gestos uma alegria imensa. O jovem que pratica atos de vandalismo precisa de ajuda psicológica para transformar-se em um adulto equilibrado e útil. Parece difícil explicar como alguém sente-se feliz em provocar danos a alguém ou ao seu público. A grande psicóloga Melaine Clein estudou vândalos em vários países do mundo e notou que suas características são as mesmas: penalizar alguém, fazer sofrer o adulto que vive no mundo onde aquele adolescente doidão reluta em entrar. Na grande maioria são filhos de lares desajustados. Aos olhos da lei brasileira não existe o clima de vandalismo, ao menos com este nome. Segundo procurei saber, o Art. 163 do Código Penal menciona o crime de danos: ?Destruir, inutilizar, ou deteriorar coisas alheias?. Existe o crime de danos qualificados, quando cometido contra o patrimônio público. O Estatuto da Criança e do Adolescente de 1990 estabelece que todas as condutas criminosas praticadas por menores de idade são denominadas atos intencionais. O estatuto prevê a prestação de serviço à comunidade como punição ao menor. Agora bem recente, um jovem foi punido por ter pintado o Cristo Redentor; sua punição foi limpar as paredes pichadas de prédios no Rio de Janeiro. Mas eu considero também outro tipo de vandalismo: aquele provocado pelo adulto consciente e que atrapalha toda uma comunidade. É o vandalismo provocado intensamente no Brasil por prefeitos de inúmeras cidades do interior. Políticos dos mais diversos espalhados por nosso imenso território brasileiro, que ocupam cargos públicos, usam e abusam do dinheiro do povo, sacrificando crianças e velhos em detrimento do seu bem-estar. Enquanto isso é dramática a situação da saúde, da educação, da segurança pública em várias regiões do Brasil. Por esse desleixo e por esse vandalismo de ideias e de atitudes, essa turma esquece que os tempos são outros e as punições virão. Vamos aguardar que as leis sejam cumpridas, que os lares tenham amor e que os homens tratem melhor e vivam dentro de uma ética capaz de justificar que devemos viver num mundo de civilizados. É uma pena que os homens esqueçam que a vida é uma passagem e que a lei do retorno é implacável. (*) É médico ([email protected]).