Opinião
Apelar para quem?
Apesar da insegurança pública ser uma tragédia nacional, a realidade alagoana é particularmente desastrosa neste segmento vital para a cidadania. É assustador o número de 14 assassinatos registrados no último fim de semana. Segundo os dados da Gazetaweb, entre 18 horas de sexta-feira (14 de maio) e 21 horas de domingo (16 de maio), 14 pessoas haviam sido assassinadas em Maceió. Desgraçadamente, esse é um número de óbitos (por homicídio) digno de comunidades destroçadas pela guerra e pelo terror, como o Iraque ou o Afeganistão. Numa rápida pesquisa sobre esses números, comparando-se os dados fornecidos pela própria instituição policial, chega-se à igualmente assustadora constatação de que, comparando o número de assassinatos ocorridos neste fim de semana com idêntico período anterior, está cravado um aumento de 16,6%. Roga-se aos céus para que esse índice seja um acaso trágico e que não seja consolidado nas estatísticas vindouras. Dever-se-ia rogar, com redobrada força, à clemência divina, como derradeira esperança dos alagoanos de paz para que tamanho descalabro não mais prospere, pois parece que a competência humana (no lado da lei e da ordem) também foi mortalmente ferida nesse combate entre violência e segurança. Mas justo será carregar aos ombros celestiais uma responsabilidade que, em primeiro lugar, deveria ser dos homens de boa vontade, especialmente aqueles que, voluntariamente, inscreveram seus nomes nas listas de funcionários públicos remunerados para o combate ao crime? Não. Indubitavelmente é injusto e inconsequente desviar do Estado a cobrança por suas responsabilidades. Orar pela paz, sim. Rezar para que os meliantes sejam distanciados de nossas famílias, tudo bem. Mas de nada vale fazer promessas para que uma força superior venha a fazer o serviço que a fraqueza material, policial, deixa de fazer.