Opinião
Autoritarismo das ruas
Mais uma vez, sob a justificativa de fazer um protesto contra supostas injustiças, um grupo submete inúmeras pessoas a uma injustiça. E estas, prejudicadas de verdade, não têm a quem recorrer. Na tarde da terça-feira, argumentando como vã motivação da bagunça a apreensão de documentos de duas ?vans? usadas no transporte de passageiros, um grupo de motoristas resolveu prejudicar todos os transeuntes cassando-lhes o direito de ir e vir. Sem respeitar ninguém, nem muito menos a lei, esse grupo praticou o desrespeito ao direito dos outros, atropelando a cidadania sem nenhuma cerimônia e, o que é mais preocupante, sem nenhuma consequência. Nada como a impunidade tem a capacidade de estimular vícios nocivos à maioria da população. A permissividade multiplica o vandalismo, de forma que a cada uma dessas bagunças travestidas de ?protestos? novas badernas tendem a se proliferar, e cada vez com mais força. Condenada a forma, poder-se-ia aprovar a motivação. Muitas das vezes, uma injustiça cometida leva ao cometimento de novas injustiças, mas esse não parece ser o caso em tela. Afinal, quem pode reivindicar estar acima da lei e das normas, a ponto de ser imune a apreensão de documentos, multas ou outras reações do poder público em resposta a ações cometidas ao arrepio da legislação? Por falar nisso, por que não se multar exemplarmente quem obstrui o trânsito? Aos motoristas não podem ser concedidas distinções, no que diz respeito às normas e procedimentos na condução de veículos, que não sejam as indicadas na Carteira Nacional de Habilitação. Ao motorista profissional, seja ou não um empresário nesse ramo, não pode ser concedida a ?imunidade do volante?. É necessária a extirpação social desse vício autoritário de ?resolver tudo na marra?, penalizando inocentes, como forma de chamar a atenção para suas bandeiras reivindicatórias.