Opinião
Triste Fernandes Lima
A Fernandes Lima é uma das mais importantes vias urbanas de Maceió e seu nome homenageia o dr. José Fernandes de Barros Lima, governador de Alagoas entre 1918 e 1924. Ele deve se remexer no túmulo em razão dos impublicáveis adjetivos com os quais os motoristas, os pedestres e os trabalhadores de estabelecimentos localizados naquela avenida o ofendem das 5 da manhã às 22 horas, todos os dias, há anos. Ele não imagina como seu nome está associado ao caos urbano, à má gestão de cidades e do trânsito e à submissão ao interesse de minorias. O pior é que a Fernandes Lima é apenas um exemplo do descontrole e da falta de soluções em médio prazo para os graves problemas de trânsito da capital alagoana. São suas irmãs legítimas as avenidas Gustavo Paiva, Barão de Atalaia, Dona Constança, Jatiúca, Amélia Rosa e todas as ruas do Centro da cidade. Na Barão de Atalaia o desrespeito é ofensivo, pois o conhecido Bompreço da Buarque de Macêdo faz o que quer com seus caminhões de carga e descarga. Justiça se faça ao prefeito Cícero Almeida, cuja administração tomou medidas importantes para melhorar o tráfego na cidade e até mesmo na Fernandes Lima. Os contornos de quadra são bons exemplos disso e mais dois viadutos tipo ?pula engarrafamento? sobre a Gustavo Paiva e Ladeira da Rodoviária Velha, complementando o pioneiro da Praça do Bonfim. É evidente que nada disso será solução para a falta de ruas em Maceió. Quem mora aqui há mais de 20 anos observa que nada de novo foi acrescentado como solução para os gargalos existentes. O novo aparece nas áreas de expansão da cidade. Há um mito sobre a solução para os engarrafamentos da Avenida Fernandes Lima, que é o conhecido sistema viário do Vale do Reginaldo, timidamente iniciado e seguindo o ritmo do PAC. Ele não solucionará os engarrafamentos da Fernandes Lima. Talvez reduza ou divida os congestionamentos. Maceió precisa de vias de escoamento largas, paralelas à Fernandes Lima e que possibilitem trânsito rápido e seguro, não os becos que existem hoje contornando o Cepa ou esbarrando no Quartel do 59º BIMTz. Mesmo que se conclua o sistema do Vale do Reginaldo, as paralelas devem ser feitas e já. É preciso que algum prefeito tenha coragem de desapropriar casas, alargar ruas, reduzir calçadas e criar ruas novas. Cidades crescem e se desenvolvem assim. Outro grave problema na cidade é o domínio absoluto de meia dúzia de supermercados e estabelecimentos comerciais sobre a vida de mais de meio milhão de pessoas. Aqui está uma das mais sérias atitudes de desrespeito ao interesse comum e visível submissão à vontade de minorias. Como alguém pode acreditar que haverá desabastecimento nos supermercados da cidade se o tráfego de caminhões de todo o tamanho que fazem carga e descarga durante o dia for transferido para o horário noturno? Quando se pensava que Maceió ia mostrar sinais de organização do tráfego na Fernandes Lima com a aplicação da Lei Municipal que proíbe caminhões de trafegarem durante o dia, resolveu-se estudar uma solução que justifique a penalização diária de mais de cem mil pessoas em detrimento do favorecimento de menos de mil. (*) É diretor do Nordeste da Abes.