Opinião
Lei da Anistia e os militares
O Supremo Tribunal Federal decidiu que a Lei da Anistia abriga também os agentes do Estado que cometeram crime de tortura e assassinatos. Apesar disso, o governo federal enviará ao Congresso o projeto de lei que cria a Comissão da Verdade, destinada a investigar casos de violação dos direitos humanos no período da ditadura militar. Por outro lado, a Corte Interamericana de Direitos Humanos julgará o Brasil pelos fatos ocorridos na guerrilha do Araguaia. O que se busca agora é a condenação moral dos ?anos de chumbo?. Para que o leitor possa entender as atitudes dos militares, é fundamental se colocar no lugar deles, durante os fatos vividos naquela época conturbada da História do Brasil. Diversas foram as intervenções militares ao longo da República e a marca indelével delas foi o espírito messiânico que pautou a conduta dos soldados ?salvadores?. Sim, ?salvadores?, porque consideravam haver uma ameaça, bem como a missão constitucional sempre deixou claro que devem defender a Pátria. Ao início da década de sessenta, o ambiente mundial era a Guerra Fria, onde a dicotomia democracia versus socialismo prevalecia e o Movimento Comunista Internacional buscava ampliar sua esfera de dominação, empregando diversas formas de atuação. O Brasil não poderia deixar de ser o principal alvo na América Latina. A população não desejava ser uma pátria vermelha, mas continuar verde-amarela, como bem se pode ver na chamada ?Marcha da Família com Deus pela liberdade?, ocorrida em 19 de março de 1964, em São Paulo, congregando 500 mil pessoas em repúdio ao comunismo. No Rio de Janeiro, em 2 de abril, reuniu cerca de um milhão de pessoas. O confronto entre segmentos sociais por crenças ideológicas diametralmente contrárias era questão de tempo. A tomada do poder pelos militares pode ser vista como um contra golpe, para preservar a Pátria ameaçada? Após um período, a esquerda brasileira fez a opção da luta armada para chegar ao poder. A guerrilha urbana e a rural se sucederam. Mortos sem glória, outros sem honra, como foi o caso do tenente da Polícia Militar de São Paulo, algemado, sem possibilidade de defesa, Carlos Lamarca, guerrilheiro, golpeou sua cabeça com a coronha da arma até que caísse sem vida. Um exemplo de que a barbárie imperou. Hoje, o Brasil é uma democracia plena, e verde-amarela, como é o desejo da imensa maioria da população. Portanto, levar os militares a julgamento, exigirá deles, uma vez mais, o espírito de renúncia a si mesmo em defesa da Pátria. O sacrifício de uns significará a harmonia social e a prevalência da Constituição Federal ? uma comprovação da subordinação do Poder Militar ao Poder Civil e ao ordenamento jurídico vigente. Será um ato final de grandeza de espírito, próprio do messianismo militar. Não haverá a fúria das legiões. O Brasil pede paz. (*) É administrador de empresas.