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Opinião

De gra�a s� do Deus da gra�a

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Acompanhando um debate no rádio sobre o badalado anúncio da criação de um genótipo sintético, chamou-me a atenção uma frase do professor de bioética da UFRGS José Roberto Goldim. A frase é: ?Ciência busca conhecimento, tecnologia busca um produto?. Sem entrar na discussão desta descoberta e dos perigos ou esperanças que dela podem surgir, gostaria de discutir um pouco mais a frase do professor trazendo para um contexto de fé cristã. A primeira comparação que me veio à mente quando ouvi essa frase foi entre o ser humano movido pelo mercado, pelo material, pelo lucro e o Deus da graça. Mesmo naquilo que pode significar, ou não, um avanço científico benéfico para a humanidade, o pecado da cobiça se faz presente mostrando um ser humano que não conhece o conceito de graça porque está longe de Jesus Cristo. Nada é de graça ? a não ser o amor de Deus em Cristo! O ser humano pecador quer sempre ter, ganhar, explorar e isso sempre aparece, ainda que camuflado numa badalada e inovadora descoberta científica. Entretanto conhecemos um Deus que a ciência não conhece até porque a razão humana não o comporta ? um Deus que apesar de ter em sua propriedade a patente de todo o universo, não cobra nem o ar que respiramos; um Deus que não ganha para si, mas conquista para os outros, para nós, ainda que tenha investido muito, até mesmo a vida do seu único Filho. Também lembrei da imperfeição humana contrastada com a perfeição de Deus. Ficamos maravilhados só em ouvir a palavra ?tecnologia? e desfrutamos até como uma bênção do Criador de uma série de benefícios proporcionados pela tecnologia. Mas ela é sempre imperfeita como é imperfeito o ser humano. E toda nova descoberta, por mais impactante, sempre precisa ser avaliada para bem e para mal dependendo justamente da ação do mesmo ser humano que a criou. Mesmo assim, o ser humano imperfeito continua repetindo o episódio da Torre de Babel, tentando com suas imperfeitas obras chegar até o céu e colocar-se no lugar daquele que é perfeito! Basta ler as manchetes sobre essa e outras descobertas para perceber, implícita ou explicitamente reverências à obra humana como desafio à ideia de um Deus Criador e Mantenedor da vida. Sem diminuir o feito noticiado, o maior de todos os fenômenos genéticos já aconteceu e foi anunciado não por mídia humana, mas pelo anjo Gabriel diante de uma espantada Maria ? o Deus eterno e infinito se faria um de nós e viria até nós para nos trazer algo realmente grandioso e benéfico em todos os sentidos. Naquela célula estava uma salvação não sintética, mas verdadeira, de graça, do Deus da graça. (*) É teólogo e pastor da Igreja Luterana.

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