Opinião
Arte e Medicina
A interação entre Arte e Medicina, ao contrário do que muitos pensam, não tem nada de novo. Aliás, a Medicina, desde seus primórdios, foi concebida como a ?arte de curar?. Na atualidade, os diversos movimentos dentro das universidades brasileiras e outras organizações estão em busca da interação entre arte e medicina; em verdade, buscam, apenas, resgatar essa antiga sintonia. Muitas escolas de Medicina hoje já incluem em sua grade curricular disciplinas eletivas como Arteterapia, por reconhecer a importância desta na formação dos novos profissionais de Medicina. Além disso, a arte vem sendo incentivada não apenas como procedimento, mas, também, como prática na vida quase sempre atribulada desses colegas, por meio de projetos internos de extensão. Como presidente da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, Seção Regional de Alagoas, posso testemunhar a importância da atividade de escrever para profissionais da medicina, que têm nessa atividade a oportunidade de expressar sentimentos outros de sua atividade diária. Cabe à entidade incentivar a produção literária de seus membros. Aliás, como prega o lema do professor Paulo Barreto Campelo, da UFPE, que aqui esteve a convite da Faculdade de Medicina da Ufal, ?unir Arte e Medicina às vezes cura, de vez em quando alivia, mas sempre consola?. Com a arte amenizamos a vida. E isso ocorre na projeção de emoções reprimidas e traumas armazenados nas gavetas do inconsciente. Convivendo com o nascimento e morte do ser humano, doença e cura, alegrias extremas e tristezas infindas, o profissional da Medicina sente necessidade de extravasar seus sentimentos e emoções, ora na tela das pinturas, ora nas notas das melodias de instrumentos musicais ou no contorno das esculturas, e, mais além, numa outra vertente, a expressão lúdica da criação literária em escritos de suas autorias. Um médico de renome, professor de gerações, Carlos da Silva Lacaz, afirmava: ?É necessário que os médicos, além de profissionais, dediquem-se à temática do pensamento do homem, mantendo-se atento às vibrações de sua época. Não existe medicina sem cultura e sem conhecimento psicológico?. Aliás, os primeiros romances brasileiros foram escritos por médicos: A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, e Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida. Sabemos que bem próximo de todos nós está a dura realidade do cotidiano de boa parte das pessoas. Miséria, pobreza, desemprego, doença e desesperança. Mas resta a utopia de acreditar em um mundo melhor e na possibilidade de contribuição social, voltada para as necessidades humanas. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.