Opinião
Separar joio e trigo
Não se pode reclamar da aspereza dos treinamentos militares, suas duras e arriscadas missões para as quais são preparadas as pessoas que optam por esse meio de vida. Mas daí a confundir rigor na preparação militar (ou do policial civil) com sadomasoquismo e outros vícios violentos é ser conivente com o crime. São terrificantes as descrições feitas pelo inquérito conduzido (com especial eficiência e isenção, ressalte-se) pela Polícia Civil do Estado do Mato Grosso. A partir dos detalhados e precisos depoimentos colhidos pela delegada Ana Cristina Felder, o objetivo não seria preparar o policial em treinamento para situações de alto risco, condicionando-lhe a uma resistência superior à média, mas, de forma aparentemente deliberada, teriam sido ultrapassados todos os limites e, extenuadas, as vítimas não mais teriam como aprender nenhuma técnica (ou qualquer outro nome que queiram dar a tão brutal ?treinamento?). O Brasil precisa de policiais altamente treinados, capacitados para situações de grandes dificuldades e riscos, e todo um esforço de preparação verdadeira pode ser atirado à lata do lixo pela desmoralização provocada por indivíduos despreparados para o exercício da nobre função de instrutores. Para a continuidade desse esforço capacitador (duro, reafirme-se) torna-se necessária a apuração rigorosa e exemplar de excessos criminosos como o que parece ter assassinado o soldado alagoano e ferido outros quatro militares. Separar o joio do trigo é uma lição válida e ensinada desde os tempos bíblicos. Separar polícia e bandido é uma máxima a ser seguida cotidianamente; separar os duros dos sádicos, igualmente é essencial, até porque a sociedade não poderá abrir mão de policiais treinados com vigor. A polícia do Mato Grosso dá um bom exemplo ao Brasil, que deve ser sequenciado pelo comando da Força Nacional e demais autoridades.