Opinião
Dias aterrorizantes
Nos últimos dias o radicalismo e o terrorismo deram novas demonstrações de sua vitalidade, atuando em áreas distantes das mais badaladas pelas polêmicas nos dias em curso. As sempre explosivas regiões situadas em áreas do Paquistão e da Índia foram ensaguentadas por tragédias que causaram mais de uma centena de mortos. No Paquistão, o alvo foi uma seita muçulmana chamada ahmadi, tida como uma dissidência teológica em relação ao islamismo tradicional ou, no linguajar religioso ocidental cunhado pela inquisição, uma ?heresia?. Na Índia, a suspeita (não confirmada até a tarde de sexta-feira) era de que teria sido sabotagem a causa da colisão entre dois trens em West Midnapore, distrito situado no Leste indiano. A desconfiança de terrorismo recai sobre a guerrilha local, de orientação ?maoísta? segundo o governo. Uma bomba teria sido colocada nos trilhos em West Midnapore e os ahmadi foram alvejados no interior de duas mesquitas, ambas situadas na cidade de Lahore. As investigações seguem adiante nos dois países, mas quaisquer que sejam os resultados dos inquéritos, a verdade aponta para o recrudescimento do uso do terrorismo por grupos políticos e/ou religiosos. E, enquanto os inocentes morrem, as lideranças mais expressivas no mundo parecem mais interessadas na manutenção dos jogos geopolíticos nos quais a dominação do mundo (ou das riquezas mundiais como o petróleo) é mais importante que o verdadeiro combate ao terrorismo. O combate ao terror precisaria levar em consideração o isolamento de todos os principais grupamentos terroristas e privilegiar alianças entre governos até então hostis, reduzindo a área de atuação desses ensandecidos. O caminho parece ser inverso, e em lugar de usar governos contra o terrorismo, usa-se a luta contra o terror como justificativa para combater governantes adversários.