Opinião
Queixa e repara��o
No dia 13 de março publiquei nesta Gazeta um artigo ?Flagrantes do autoritarismo?, onde entre outras criticava a prisão da gerente dos cinemas Centerplex, citava a derrubada de barracas da orla, mas lamentava que paralelamente muitas outras tinham sido erguidas pelo poder público, poluindo a paisagem, onde mar e jangadas eram os principais prejudicados, criticava a leniência de Lula durante a visita a Cuba diante da morte por greve de fome do preso político e ainda, ufa, lamentava a substituição dos postes da orla; na minha cabeça, ainda pouco usados e rijos por outros novos, menores e de metal, o que imaginava seria temerário perante à corrosiva maresia da região. As minhas modestas queixas, que pensava comungaria com os meus minguados leitores, que como eu são contribuintes e pagam as contas, já estavam esquecidas e superadas por novas questões quando, na semana passada, cerca de 2 meses após publicado o artigo, recebi um cordial telefonema do jornalista e boa-praça Marcelo Firmino, secretário de Comunicação da Prefeitura de Maceió, arguindo se receberia um dossiê da mesma contestando um dos temas enfocados naquele despretensioso artigo: a substituição dos postes da orla. O citado dossiê, robusto e consubstanciado por farta documentação fotográfica, afirma: os postes anteriores já estavam com 30 anos de uso; a luz deles emanada se perdia sobre as copas das árvores; o seu estado de conservação era precário (embora a amostragem fotográfica se restrinja a 5% dos postes); os novos postes são galvanizados a fogo, imunes à corrosão (tomara) e o grau de luminosidade aumentou em três vezes, com redução de consumo. O ser humano, por mais complexo que o seja, por mais diferenças que tenha, possui algumas peculiaridades e fraquezas comuns, tais como não gostar de ser contrariado nas coisas em que pensa estar certo, principalmente quando externa as suas opiniões publicamente. Todavia, segundo os estudiosos da mente: só os psicopatas têm certeza absoluta, permanente convicção de que estão sempre corretos e que são os donos da verdade. No domínio das relações humanas estes absolutistas são os ditadores, os tiranos. Existe, sobretudo, uma questão de liminar importância na democracia: o direito de defesa, que deve ser amplo e irrestrito. Principalmente, se a defesa for feita, como o foi de forma substancial e civilizada pelo dossiê do secretário Max Trindade; daí, registrar e reconhecer que estávamos equivocados em relação à substituição dos postes de luz da orla não fica difícil. É apenas um ato de justiça. (*) É médico e professor da Uncisal.