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Opinião

Acinte ecol�gico

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Uma velha assombração segue atormentando quem deseja mergulhar nas maravilhosas praias alagoanas: a poluição. Orgânica é essa poluição, proveniente de despejos sanitários, irregulares e impunes, que seguem sendo feitos nas redes coletoras de águas pluviais. Para este fim de semana, o Instituto do Meio Ambiente (IMA) publicou o seu mais recente Laudo de Balneabilidade, onde estão classificadas as praias alagoanas. Além das inconsequências do poder público, a deseducação urbana deve ser cobrada especialmente às camadas mais esclarecidas da população maceioense. Poder-se-ia argumentar que aos moradores das regiões menos assistidas não restariam alternativas senão carrear seus dejetos domésticos para os cursos d?água mais próximos. O que é verdade. E a existência, pútrida, do que foi um dia o Riacho Salgadinho confirma a dramaticidade social dessa questão. Mas a realidade da contaminação ambiental das praias não está reduzida às cercanias da foz daquele córrego. Pelo contrário, hoje reduzida por paliativos, a mancha poluente não é tão marcante quanto antes na Praia da Avenida da Paz. As áreas mais contaminadas por coliformes fecais são correspondentes aos perímetros ocupados por moradores de maior poder aquisitivo, e, presumivelmente, maior cultura e urbanidade. Pajuçara, Jatiúca, Jacarecica são praias que recebem as águas tidas como pluviais recolhidas em bairros apinhados por edificações caras e ocupadas por viventes das faixas de renda mais altas e de educação supostamente mais esmerada. Nesses locais, alguns servidos por redes coletoras de esgoto doméstico, é público e notório que edifícios inteiros têm suas águas servidas conectadas (deliberadamente) à rede pluvial com o fito de não pagar a taxa correspondente ao serviço de coleta dos dejetos domésticos. Até quando?

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