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Fica conosco, Senhor (Lc 24, 39)

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Na última Ceia, Jesus ? no contexto da Páscoa judaica, que se celebrava em Jerusalém ? evocando a história do povo judeu e sua aliança, estabelece um novo povo de Deus na base da ?nova e eterna aliança? profetizada por Jeremias, desse modo: ?Eis que dias virão, oráculo do Senhor, em que selarei com a casa de Israel e com a casa de Judá uma aliança nova. Não como a aliança que selei com seus pais, no dia em que os tomei pela mão para fazê-los sair da terra do Egito (...). Então eu serei seu Deus e eles serão meu povo? (Jr 31, 31-33). No Sinai, a aliança foi estabelecida entre Deus e as doze tribos de Israel e selada com sangue de animais, aspergido por Moisés. Na última Ceia, na instituição da Eucaristia, a nova aliança foi estabelecida por Cristo com os doze apóstolos e selada por Cristo com seu próprio sangue. A Eucaristia renova em todo tempo e lugar esta aliança para que a Igreja ? como um todo e cada um de seus membros ? entre cada vez mais neste dinamismo de doação ao seu Senhor. O sacramento do pão e do vinho não é simplesmente a presença real de Cristo para ser adorada, mas o amor de Deus concentrado no gesto máximo da entrega de si mesmo. Trata-se de uma realidade fortemente ativa, a vida que é doada, com o fim de suscitar, em quem dela participa, a mesma atitude. A Eucaristia é, portanto, fonte e força criadora de comunhão entre os membros da Igreja, precisamente porque une cada um deles intimamente com o próprio Cristo e assim os une entre si. A Eucaristia constrói o Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja. Participando realmente do corpo do Senhor na fração do pão eucarístico, somos elevados à comunhão com Ele e entre nós. A Eucaristia é o pão da unidade dos discípulos e missionários do Senhor. Na estrada de Emaús, Jesus repassando com os discípulos as Escrituras, ajudou-os a ler os acontecimentos do Calvário com novos olhos. Falou-lhes do que já conheciam, mas que passara a ter novo sentido à luz da Ressurreição. Tudo foi envolvido por essa luz quando, aceitando o convite que lhe fizeram ? ?Fica conosco Senhor!? ? Jesus sentou-se à mesa com eles e repartiu o pão. ?Neste momento, seus olhos se abriram, e eles o reconheceram. Ele, porém, desapareceu da vista deles? (Lc 24, 31). Os primeiros cristãos compreenderam muito bem a importância das lições deixadas por Jesus, tanto que ?eram assíduos ao ensino dos apóstolos, à união fraterna, à fração do pão e às orações? (At 2, 42). Dois mil anos depois, continuamos a celebrar a Eucaristia em sua memória. A Igreja vive de Jesus Eucarístico, por ele é nutrida, por ele é iluminada. A Eucaristia é mistério de fé e, ao mesmo tempo, ?mistério de luz?. Sempre que a Igreja a celebra, os fiéis podem de certo modo reviver a expectativa dos dois discípulos de Emaús: ?Seus olhos se abriram e eles o reconheceram?. Fica conosco, Senhor! Faze com que, como os discípulos de Emaús que deixaram sua aldeia e voltaram a Jerusalém, à procura dos outros discípulos, nós também queiramos comunicar aos nossos irmãos o encontro que tivemos com Jesus Eucaristia. Assim seremos anunciadores de uma certeza: ?Sem Cristo não há luz, não esperança, não há amor, não há futuro? (Bento XVI). Confiantes, rezemos com unção e entusiasmo, na festa de Corpus Christi: ?Fica conosco, Senhor?! (*) É pároco da Catedral.

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