Opinião
Condenado ao subdesenvolvimento
A julgar pelas decisões ortodoxas praticadas pelo Banco Central (BC), chego até a pensar que estamos andando em círculo e jamais encontraremos os caminhos do desenvolvimento. É que, todas as vezes que o nosso País apresenta sinais de crescimento, a inflação ameaça interromper o progresso. Por sua vez, sem independência política para dizer ao País quais as reais causas que provocam os desequilíbrios da economia, o Banco Central simplesmente aplica o tradicional sonífero da taxa de juro contra o dragão inflacionário, adormecendo-o. Porém, a aplicação generalizada do paliativo pode causar dois efeitos perversos: reprimir o crescimento e reduzir a geração de novos postos de trabalho. Sim, claro, elevar a taxa de juro sem analisar quais setores estão gerando pressões inflacionárias pode interferir na economia como um todo. Sabe-se, entretanto, que o tal dragão é movido por um comando bastante conhecido: o instinto pelo lucro. Com efeito, ao notar que a procura pelo seu produto é maior do que ele tem e pode produzir, o dragão acorda no cérebro do capitalista e o instiga a elevar os preços. O que fazer, então, se é esse instinto que move as economias capitalistas? O que fazer, a fim de evitar os abusos do dragão? Trabalhar com disciplina, perseverança e zelo no trato da coisa pública, a fim de buscar o equilíbrio da economia e crescer sem inflação. Mas isso é tudo que não se faz por aqui. Ao invés de enxugar os gastos e poupar, com o objetivo de realizar investimentos que estimulem a produção, leio notícias de que o governo federal gasta mais do que arrecada. Porém, jogar mais dinheiro na economia sem produção, também acorda o dragão. Dá até para acreditar que essa medida conservadora do BC tem outro objetivo latente: cobrir o carnaval dos gastos públicos com poupança externa. Se isso é verdade, estamos assistindo a mais outra maldade com o povo brasileiro, pois há entrada efêmera e excessiva da moeda do Tio Sam (mirando o juro alto), desvaloriza-a. Com isso, passamos a importar mais do que exportar, prejudicando a indústria nacional. Aí, para não perder as reservas cambiais, o governo inicia o círculo vicioso da nossa economia: na sonhada busca do crescimento, joga mais dinheiro na praça, que estimula o dragão, que exige elevação do juro pelo BC, que... Desse jeito, nosso País não vai a lugar nenhum. Faz-me até lembrar a história do cachorro que rodopiava feito um louco, na tentativa de morder o próprio rabo. (*) É contador.