Opinião
Lembran�as do Gardola
Há exatamente um ano, Deus chamou à sua morada o meu querido pai Antonio Nunes, ou Antonio Galdino, como assim era também conhecido. Nós, seus filhos, perdemos o porto seguro. Os demais familiares e amigos perderam a referência da alegria e um ombro de dignidade. Maribondo, com certeza, perdeu um dos melhores de seus filhos adotivos. Antonio Nunes da Silva nasceu na Fazenda Brejo da Palha, município de Atalaia. Filho de família muito pobre, desde cedo enveredou pelo caminho do trabalho braçal, para ajudar no sustento básico de sua casa. Somente aos treze anos, calçou pela primeira vez os seus pés com uma sandália comprada com o suor de sua labuta. Obstinado em querer mudar o rumo de sua vida, entregava metade de seu ganho semanal para que um dos motoristas da antiga Usina Ouricuri lhe ensinasse a arte de dirigir. Quando se achou apto no volante, partiu para uma grande façanha: como não sabia ler, toda noite ia à casa de uma jovem de nome Zenira, que mais tarde veio a ser sua esposa e nossa querida mãe, para que a mesma fizesse a leitura em voz alta da apostila para exame de motorista, e assim, ele pudesse decorar e aprender as sinalizações e a serventia das peças do motor de um veículo. Já motorista profissional, chegou ao então Povoado de Maribondo e logo passou a trabalhar como motorista de um caminhão do senhor José Zeferino (Zé Braz), que de patrão passou a ser seu compadre duas vezes, sendo um fiel e verdadeiro amigo de todas as horas ao longo da vida. Partícipe do movimento de emancipação política de Maribondo, teve seu nome indicado em 1963, para concorrer ao cargo do primeiro vice prefeito eleito do município. Naquela época, o vice prefeito não fazia parte da chapa majoritária, era também votado em separado, e sua votação superou aquela dada ao prefeito eleito Aníbal Costa Dias, de quem foi amigo, parceiro, e juntos fizeram um governo de muito trabalho e visão futurista. Sua vivência política e a sublime vocação para o bem, de sua esposa Zenira Nunes, transformaram o seu lar em ancoradouro de políticos, religiosos, professores, médicos e outros profissionais que chegavam para trabalhar no novo município. Com o passar dos anos, ao custo de muito sacrifício e determinação, Antonio Nunes chegou a ser um comerciante de destaque na região, além de ter transformado o curso de sua vida, passando de bituqueiro de usina na juventude, para uma conquistada posição de próspero plantador de cana. Hoje, ao reverenciar sua vida e sua memória, renovo meu compromisso de tê-lo sempre como meu herói; de procurar ser um elo de união e fraternidade no seio familiar, além de nunca me esquecer, em cada dia do meu viver, de agradecer ao Divino Pai, a maravilhosa e feliz graça de ser seu filho. (*) É funcionário público estadual.