Opinião
Guardem este nome
Marco Aurélio Garcia! Guardem este nome. Este senhor é hoje um dos principais assessores do presidente Lula para assuntos internacionais. Mentor da trapalhada em Honduras que nos rende até hoje uma posição isolada e retrógrada no continente americano, este senhor possui verve autoritária e representa uma tentativa significativa em direção ao autoritarismo no Brasil. Não estamos falando de meras posições isoladas, mas de um conjunto de ações que demonstram claramente uma guinada ideológica cuja substância prática revela-se contrária ao momento em que vivemos. Recentemente tivemos mais um novo episódio que nos levou a ter vergonha da posição assumida por nosso País: a morte de um cidadão de Cuba que ousou discordar do regime ditatorial implantado por Fidel Castro. De há muito que o nome de Fidel inspira posições romanceadas, todas decorrentes do simples fato dele ter preferido se submeter aos desígnios do falecido império soviético a continuar sob o jugo do império americano. Império por império. Sob a inspiração de Marco Aurélio Garcia vimos o presidente Lula falando em respeito às decisões da justiça cubana, como se o poder judiciário em Cuba não fosse mero cumpridor dos desejos de Fidel Castro, desejos estes agora comandados pelo seu irmão, Raul, que o sucedeu tal qual numa monarquia absoluta (sucessão consanguínea)! Não satisfeito, Marco Aurélio Garcia dá uma entrevista e diz que o Brasil não é ONG para se relacionar com dissidentes. Quanto estupidez, arrogância e ignorância. E que estofo fascista! Agora, como se não bastassem Fidel, Chávez e Morales, vamos confraternizar e mediar acordos com Mahmoud Ahmadinejad, o representante político da guarda revolucionária islâmica, do Irã teocrático dos aiatolás, país submetido a um regime que trata as mulheres como seres humanos de segunda categoria, restringe a atividade política e a liberdade de expressão, além de punir crimes com atos de selvageria inacreditáveis. Bom recordar que em 2007 um comunicado da Repórteres sem Fronteira (RSF) ressaltou que o Irã estava se transformando em uma das maiores prisões do mundo para os profissionais da informação. Isso para não falar da negação por parte de Ahmadinejad da morte de milhões de judeus em campos de concentração nazistas. Este é o país com o qual mantemos agora relações mais que amistosas e que levou Marco Aurélio Garcia a afirmar durante a Cúpula de Madri que a adoção de sanções contra o Irã pelo Conselho de Segurança da ONU não seria legítima nem bem recebida pela comunidade internacional e que ?se os EUA optarem pela sanção, eles vão se dar mal?. Quem autorizou Marco Aurélio Garcia a falar como interlocutor pela comunidade internacional e como os Estados Unidos vão se dar mal? Quanta arrogância, ingenuidade, prepotência e tolice juntas! (*) É promotor de Justiça e professor da Ufal.