Opinião
A eterna espera
Este período pré-copa, dependendo do que o Brasil consiga de resultado, com suas expectativas e ansiedades sempre pode ser melhor do que a copa. O papo preponderante nas caminhadas matinais da orla, inevitavelmente é a Copa do Mundo; um dos companheiros, o Mário Jambo, acompanhou a Copa de 90 lá na Itália, dentro dos estádios, vendo todos os jogos do Brasil. Por um descuido no jogo Brasil x Escócia ficou no meio da torcida escocesa e mesmo o Brasil ganhando o jogo por 2x1, foi bem tratado pelos escoceses, que cantavam ininterruptamente as músicas dos Beatles. No fim do jogo, abraços e trocas de camisas suadas entre os torcedores. Felizmente, ele assistiu ao jogo Brasil x Argentina (aquele gol do Caniggia no 1x0) na torcida brasileira. Pertinho dele, estava parte do time tricampeão no México: Gérson, Brito, Jairzinho. Entre os eternos mestres da crônica futebolística: Paulo Mendes Campos, Mário Filho e Nelson Rodrigues, respaldo-me neste último para sentir como ele via este período pré-copa. Na obra À Sombra das Chuteiras Imortais está a crônica Complexo de Vira-latas,a última publicada antes da estreia do Brasil na Copa de 1958. Entre outras pérolas escreveu: ?Os jogadores já partiram e o Brasil vacila entre o pessimismo mais obtuso e a esperança mais frenética. Ouve-se falar ?O Brasil não vai nem se classificar!?. Desde 50 o nosso futebol tem pudor de acreditar em si mesmo. A derrota frente ao Uruguai, na última batalha,ainda faz sofrer, na cara, na alma. Foi uma humilhação nacional que nada, absolutamente nada,pode curar.O tempo passa em vão sobre a derrota. Dir-se-ia que foi ontem e não há oito anos,mas a dor é infinita?. Continua: ?Mas vejamos, o escrete brasileiro tem, realmente, possibilidades concretas? Eu poderia responder, simplesmente não, mas eu acredito no brasileiro. Qualquer jogador brasileiro quando se desamarra de suas inibições e se põe em estado de graça,é algo único em matéria de fantasia, de improvisação, de invenção. Em suma: temos dons em excesso. A única coisa que nos atrapalha é o nosso complexo de vira-latas; a inferioridade em que o brasileiro se coloca em face do resto do mundo, principalmente em relação ao futebol?. Encerra: ?O problema do escrete é de fé em si mesmo. Precisa se convencer de que não é um vira-latas e que tem futebol para dar e vender lá na Suécia?.Nada semelhante a hoje. Paralelamente, Leônidas, o Diamante Negro ridicularizava o nosso time e menosprezava Pelé. Hoje temos Tostão e Paulo César Vasconcelos entre os que analisam com lucidez, equilíbrio e profundidade. (*) É médico e professor da Uncisal.