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Acordo e elei��o

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MARCOS DAVI MELO * Começou o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão e por mais que muitos detestem este período, pelo que vão perder de seus momentos de lazer preferidos diante da telinha, sempre existe a possibilidade de se debaterem questões cruciais importantes para a vida da população brasileira. O mesmo já não se pode dizer em relação à exequibilidade das propostas dos candidatos à sucessão de FHC. Seja ele quem for. Esteja ou não imbuído das melhores intenções. O papel do eleitor também nunca esteve tão limitado, em termos de através de seu voto, poder mudar o destino do País nos próximos anos. É assim que pensa o George Soros, megaespeculador e indisfarçado oráculo de grande parte dos melhores cientistas políticos no Brasil. E mesmo abominando este vaticínio de um gringo que vive tão distante do País, não se pode deixar de lhe dar atenção. Diante do último acordo com o FMI? tão indesejável quanto inevitável ?segundo as palavras de um dos candidatos tradicionalmente mais oposicionistas. As opções para iniciativas mais ousadas, seja no campo da retomada do desenvolvimento, como no das imensas carências sociais, ficam extremamente restritas. Seremos obrigados a trabalhar dentro de um orçamento que dê um superávit primário previsto e monitorado pelo FMI. Na prática: vamos rebolar para arrecadar sempre mais do que o que se vai gastar. O que em princípio é uma premissa correta, com a qual toda dona de casa convive, com mais ou menos dificuldades. Porém deplorável, quando imposta de fora, e não se leva em conta que para se auferir este superávit interno, não vamos ter como investir o necessário em segurança, saúde, educação e muito menos na criação de empregos e na retomada do desenvolvimento econômico. O principal do tal superávit interno vai para o serviço da dívida externa. Resumindo: o que não podemos investir do que pouparmos internamente, vai celeremente para banca internacional e seus investidores. Para manter aqui os capitais internacionais, os juros precisam ser altos. Todos ou quase todos os candidatos se declararam favoráveis ao acordo. Pode-se entender. Não haveria outra saída, diante do quadro atual interno e externo (Argentina, Uruguai, etc). Chegamos a tal dependência do capital internacional que, ou era o acordo ou o caos, com o qual nos ameaçaram e nos ameaçarão sempre, mantidas as atuais regras. Como se comportarão os candidatos em relação a esta questão no desenrolar do horário eleitoral? Vão debatê-la profundamente em suas implicações imediatas e para as gerações futuras? Poderão ter posições ?independentes? ou ?diferentes?, sem serem alcunhados de radicais e ameaçados em suas pretensões eleitorais? Soros também afirmou, sem contestações maiores, que para onde pender o capital internacional, penderá a eleição. Seria uma ameaça ou uma profecia? O papel real a ser desempenhado pelo eleitor, neste cenário, não seria aquele descrito pela mídia, pelos candidatos e muito menos o esperado pelo cidadão. Infinitamente menor, segundo Soros. Como entramos nesta problemática, sabemos. Como sairmos, pelo andar da carruagem, talvez a ?solucionática? possa ficar pra oposição. (*) É MÉDICO

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